MAIS RUGAS E A MESMA RAIVA | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

28.03.2011 | 18:39

MAIS RUGAS E A MESMA RAIVA



Quem viveu a adolescência nos anos 90 provavelmente se embalou com os power chords irritados e sarcásticos do Blink-182, uma das maiores bandas de pop punk dos EUA. Já navegando acima dos 30 anos, o trio já passou por uma quase tragédia no acidente aéreo do baterista Travis Barker (em 2008) e sobreviveu a uma separação. E agora quer voltar com um som mais maduro, mas encapsulando aquilo que tornou o Blink especial.


O primeiro disco desde 2005, quando a banda se separou (Tom DeLonge, o vocalista, foi para o Angels & Airwaves e Barker e o baixista Mark Hoppus formaram o +44), ainda não tem nome, mas a banda promete ampliar o leque de influências. “Tem rock de arena, elementos de punk e indie, com batidas de drum’n’bass. É legal”, diz DeLonge à Rolling Stone. “Quisemos pegar tudo o que fizemos e mesclar em uma grande panela, sem, esperamos, esquecer quem fomos no caminho”.


Os punks californianos que já cantaram sem parar sobre corações partidos, frustrantes ereções e sobre “crescer” passaram por muitas coisas nos últimos cinco anos. No disco homônimo de 2003, que incluía uma parceria com Robert Smith, a banda já começou a explorar um som mais dark e profundo, mas a banda parece ansiosa para demonstrar o crescimento.


“Quero garantir que não perdemos aquela raiva”, explica DeLonge, do alto de seus 35 anos. “Quero pegar aquilo e entregar em um pacote muito moderno, usando arranjos e fórmulas para lançar você em lugares diferentes com uma música que não é apenas um pop-punk com três acordes e alguns riffs. O que podemos fazer agora é pegar a essência do que era o Blink-182 e realmente transformar em algo que tem um crescendo. É isso que me empolga”.


O disco, produzido pela própria banda, vai ter de 10 a 12 novas músicas e está sendo gravado no estúdio de DeLonge em San Diego e em Los Angeles por Hoppus e Barker. Uma faixa que já está finalizada é Ghost on the dancefloor, que relembra amores pretéritos. “Travis disse que essa música deixava ele muito comovido, pois o lembrava de um amigo que ele perdeu no acidente de avião”, diz DeLonge. “É legal ver que nos unimos por algo assim. Essa é a cola em uma banda de rock disfuncional”.


A banda se reuniu em uma turnê em 2009, mas os projetos paralelos ainda se mantém. Barker, além de +44, acaba de lançar um disco solo de hip-hop, Give the drummer some. Mesmo assim, a banda planeja voltar a fazer turnês em 2011, passando por estádios e festivais. “Tivemos muito sucesso, mas o Blink-182 veio de uns moleques ferrados dos subúrbios. Por alguma razão, isso ressonou pelos anos 90 com vários outros moleques ferrados dos subúrbios”, avalia DeLonge. “Agora todos dizem: ‘Ok, seus babacas, peguem de onde largaram, mas tragam suas habilidades para o jogo’. É bom. Temos grandes planos”.


Foto: Divulgação

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