COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

28.04.2010 | 15:27

COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ

Mario Marques



Em 1997, Marcus Menna (voz), Sérgio Morel (guitarra), Vitor Queiroz (baixo), Bicudo (bateria) e Alessandro Barros (sax) zuniam acid jazz no palco do Terraço Rio Sul, uma espécie de boate improvisada num shopping em Botafogo.  No repertório, de Jamiroquai a James Taylor Quartet, de Incognito a Brand New Heavies, a fina flor do gênero que tomou as pistas de Londres no começo dos anos 90 e andava desamparada. Não era absolutamente nada fácil executar aquele groove cheio de notas, vindouras do soul 70 e revisitadas no meio de sotaques de jazz, rap e rock. Tinha que ser músico mesmo, de formação.  Por meses, os meninos, cunhados então L Acid Jazz, ganharam fãs fazendo covers. Mas queriam mesmo era serem reconhecidos por um trabalho autoral, nos moldes de seus ídolos dos anos 80. Ao transporem a sonoridade para o disco, enterraram o acid jazz em Botafogo e foram perseguidos para sempre pela crítica especializada, embora o sucesso calasse forte os detratores. Cinco discos depois e após a lipoaspiração malsucedida em 2004 que deixou sequelas em Marcus Menna, ainda estão cravadas no peito as cutucadas dos jornalistas. Pegava-se no pé das letras do grupo, insípidas em alguns momentos, e nas levadas, pops até o talo. Contudo, havia uma tendência clara. Em mais um tempo, o então LS Jack acharia um meio-termo entre o que era no início e o que virou depois.  "Sim, eu acho que a crítica foi mesmo severa com nosso trabalho, mas isso faz parte de qualquer banda", ameniza Menna. "Eles fizeram o papel deles. O que eu posso falar é mostrar a nossa obra, refazê-la ainda mais agora. Ninguém gosta de ser criticado". Hoje com 33 anos, Menna tenta recuperar não só seu estado físico e de saúde, após uma passagem apagada pelo V.I.B.E.6 – e também de seus colegas no grupo O Salto. A volta, imprevisível, está marcada para este sábado, em Divinópolis, Minas Gerais. E o Brasil quer ver.

Marcus Menna está no processo do passo a passo. Acaba de se formar no Conservatório Brasileiro de Música. Usa a palavra "Deus", em agradecimento, a cada frase. Faz aulas  de canto, ensaia duas vezes por semana. Luta.

"Estou pronto para voltar", garante. "Estou muito feliz com o que está acontecendo".

Marcus Menna, atesta sua mãe, mudou a forma de ver a luz do sol. Naqueles tempos, de discos e turnês, era a boemia que tomava conta da banda. Noites adentro, festas, comemoração, a juventude e o sucesso juntas, combinação explosiva.  "Lembro pouco aqueles tempos, mas lembro. Como tudo na vida passa. Acho que estou em outra fase".

A concentração agora corre envolta em metas. De 2004 para cá, ele se separou de Carla, a musa da faixa homônima que rodou as rádios do Brasil inteiro, com quem tem uma filha, Luana, casou-se de novo (com Priscila) e tem uma filha com ela, Mariah. As influências é que não mudaram. Continua ouvindo os mesmos Iron Maiden, Rush e acid jazz e rock congêneres.

Enquanto Menna ensaiava uma volta com outra turma, seus colegas de LS Jack também tentavam uma carreira com O Salto, com Fabão (Monobloco, A Bruxa) à frente dos vocais. Não deu certo para ambos. Acertar-se com os amigos do começo foi o que engrossou seu ânimo.

"Sempre foi uma vontade minha tocar com eles de novo", revela o cantor e compositor. "São grandes amigos, passaram coisas boas e ruins comigo. Por enquanto o Serginho (Morel) não voltou, mas um pouco mais para a frente ele volta. Tenho isso em mente".

Os primeiros acordes, os primeiros palcos reveem hits de rádio, como Você chegou, LS Jack, Sem radar e Carlla. Nada inédito. Por enquanto. "Meu próximo passo é voltar a compor", adianta Menna. "Se Deus quiser voltar a gravar, num estúdio bom, com pessoas boas produzindo. Ainda não deu tempo para pensar. Outra coisa que eu aprendi é que  é cada coisa no seu tempo. Sou superansioso, tenho esse defeito, faz parte de mim. Quero retomar tudo que eu já tive um dia com calma. Por enquanto ainda não fizemos músicas novas, por agora não. Mas vamos voltar a sentar e a compor".

LS Jack (1999), Olho por olho, gente por gente (2000), V.I.B.E  (2001), Tudo outra vez (2003) e Jardim de cores (2004) são discos envoltos em baladas e com produção radiofônica. Por vezes tão radiofônicas que não se sabia até onde ia a mão do produtor. A banda foi ajudada pela apresentadora Xuxa. Muitas das vezes algumas faixas foram apresentadas em seu programa. O grupo foi abraçado pelo produtor Líber Gadelha, que em sua gravadora Indie Records andou com os meninos à frente. Agora a trilha passa pelas mesmas pessoas, incluindo Zé Henrique (produtor do Yahoo) e Bebel Xavier, ambos empresários da banda, como  no começo.

"Estou me reaproximado de meus grandes amigos, grande presente de Deus. Quero botar essa bola para a frente".

Veja Carla no Festival de Verão de Salvador de 2004:

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FORMULE

Postado Por LEANDRO SOUTO MAIOR

28.04.2010 | 15:44

Tenho prazer em ler um texto interessante e bem escrito. Assim é o do Marcus Menna, by MM. Em junho de 2008 eu mesmo entrevistei o Menna, primeiras declarações após o coma. Tocante. A quem interessar recordar aquele momento: http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/06/27/e27069413.html

Postado Por ISADORA

29.04.2010 | 11:55

Mario que boa notícia! Acredito apenas que houve um engano quanto a formação original da banda: o Alessando ficou apenas até o segundo CD e um dos integrantes que não foi citado foi o Serginho Ferreira, guitarra.\r\nHoje, da formação original estão presentes: Menna, Serginho Ferreira, Bicudo e Vítor.\r\nUm abraço