O MONSTRO DE FRANKENSTEIN | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

25.03.2011 | 19:35

O MONSTRO DE FRANKENSTEIN

Gerhard Brêda



Garota com traços faciais não necessariamente perfeitos que se esconde em quilos de maquiagem, roupas extravagantes e um neo-feminismo libertário esquisito. Não é Lady Gaga, mas é seu equivalente britânico, Jessica Cornish, que, assim como Stefani Germanotta, se esconde atrás de uma alcunha, no caso Jessie J. O que sai do debute da cantora, hypada como a grande sensação para 2011, é uma das coisas menos inovadoras já criadas. Se espremer tudo o que é produzido no pop atual, você encontra Who you are.


Mas se o disco não apresenta nada de novo, pelo menos não é um deslize constrangedor como o mais recente disco de Britney. As bases de Jessie J são melhores e há algum esforço de composição. A faixa que abre o disco, com participação de B.o.B., o rapper que se mete em mais parcerias do que é possível acompanhar, é um bom cartão de visitas. Price tag é uma música relaxada, não apela para sintetizadores baratos ou batidas eletrônicas cansadas. Uma pena que o que segue desliza mais do que brilha.


O grande problema de Jessie é que a cantora sabe de suas habilidades e, por isso, ocasionalmente desaba em exageros típicos de programas de calouros. A balada – obrigatória em um disco de pop – Big white room traz uma linha vocal que parece uma edição de American idol durante um terremoto, com berros agudos empacotados em vibratos. Acompanhando essa demonstração de fôlego, um violãozinho de aço safado, estourando seus agudos, para dar uma ideia de “pegada”. Truque velho, faixa fraca.


O resto do disco segue sem muitas surpresas. Casualty of love soa exatamente como uma música feita em meados dos anos 90, tanto nos arranjos quanto na batida e no timbre de Jessie. A música é uma viagem para uma era comandada por R. Kellys da vida, cometendo I believe I can fly e outras pepitas sobre ouvintes incautos. Não é ruim, mas será que esse pop já é digno de ser revisitado? Já virou vintage? Provavelmente não.

 
Do it like a dude
é uma música de pista com uma mensagem pró-mulheres, uma temática que fica mais original a cada dia no pop. Só que ao contrário. Depois de Katy Perry beijar uma garota e curtir, Beyoncé esculachar os “hustlas” e qualquer diva metida a besta se vangloriar de um estilo de vida feminino, divertido e livre, tudo o que o mundo não precisa é ouvir pela milésima vez uma mensagem enviesada sobre a igualdade.


Mamma knows best
soa como Christina Aguilera, Who’s laughing now flerta em soar como Lady Gaga e o resto do disco é tão derivativo quanto. Who you are é dolorosamente regular. É um banquete de fast food meio requentado, que vai te deixar com fome em pouco tempo. Não vai te fazer mal agora, mas é bem capaz de entupir suas artérias no futuro.



Foto: Divulgação

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