PREFIRA O DISCO | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

20.03.2011 | 09:55

PREFIRA O DISCO

Paulo Loureiro



Seal é ótimo em disco. Gravado. Regiamente produzido, como foi pelo inglês Trevor Horn, que comandou esse processo nos quatro primeiros e ótimos álbuns do cantor. Em show, pelo menos no Brasil, ele fica muito aquém de sua excelência em estúdio - como aconteceu na apresentação deste sábado (19) no Citibank Hall, no Rio.


A culpa, na verdade não é dele, cantor propriamente que, neste, fez jus ao posto de grande intéprete do soul britânico, mas do pacote inteiro. A banda, fraca, mostrou morosidade na quase totalidade do show, que foi bastante prejudicado também pelo volume, incomodamente baixo e bastante mal mixado. Bateria tímida, guitarras que só existiam na nossa imaginação e um quarteto de louras que se alternava em naipe de sopros, com arranjos fraquíssimos e backing vocals. Um desperdício, já que os outros membros da banda faziam também vocais somados às partes pré-gravadas da voz do próprio Seal.


O show passeou por um repertório incerto. Muitas coisas do mediano System |(2007), que se apoiou nas levadas dance do produtor Stuart Price (Madonna), e outras tantas do burocrático Soul (2008), onde o cantor interpreta clássicos do estilo sem nenhuma novidade. Não foi, no entanto, curto e desprovido de sucessos quanto sua última apresentação por aqui no HSBC Arena. Ele desfilou Crazy, Killer, Prayer for the dying e o mega hit Kiss from a rose (que lhe rendeu um Oscar, por estar na trilha de Batman II), cantada em coro pela boa platéia.


A parte técnica fora o áudio, também não empolgou. Um sistema de luz bastante óbvio tentava enganar com vídeos toscos e pouquíssima criatividade. O que pareceu foi que Seal trouxe um show "c" para cá. Um dos maiores compositores pop dos últimos tempos mereceria algo bem mais grandioso. Não no sentido pompa, mas no quesito inventividade. Algo que pudesse ao menos dar sentido às grandes melodias e arranjos que estamos acostumados a ouvir dele.


Voltando ao repertório, Seal passeou pouco pelos belos temas de seu último trabalho , Seal 6: Commitment (2010), produzido pela lenda David Foster. Do seu melhor disco, Human being (1998), ele ensaiou Just like you said, mas "esqueceu" os acordes da canção, que faria em formato violão e voz. Brasileiros aplaudem muito isso, por sinal...


Seal mostrou-se bastante simpático durante todo o show. Cumprimentou fãs, fez pose para fotos, cantou olhando para as pessoas e disse que o Rio está no Top 2 ou 3 das melhores platéias para quem já se apresentou. Quem curte o artista, cantou várias das músicas, ensaiou passinhos e mexeu as mãos no ar mas, saiu com uma impressão de que faltou mais. Bem mais.


Foto: Dannielle Sant'Anna

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