O HOMEM DOS 16 MIL FÃS | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

09.03.2011 | 11:02

O HOMEM DOS 16 MIL FÃS

Ricardo Schott, do Recife



No jargão carioca, Brasília Teimosa, bairro do Recife (entre o mitológico Pina e o Porto), seria considerada uma "comunidade". Trata-se de um bairro repleto de casas de alvenaria, perto da praia, que não chega exatamente a ganhar uma aparência de favela, mas que, afirma a Wikipedia, é a mais antiga invasão urbana da capital pernambucana. Lugar perfeito para o maior cronista social atual do Recife, João do Morro, mostrar seu repertório extremamente popular, para dançar e rir, o que aconteceu nesta terça (8). Preparando para breve um DVD e distribuindo seus CDs de graça pela plateia (formada por 16 mil cabeças!) como se fosse o bacalhau do antigo Programa do Chacrinha, não deixou faltar nem referências ao maior hit do carnaval atual, Minha mulher não deixa não (gravado por um sem-número de artistas e popularizado por nomes como Reginho e Banda Surpresa). 


Vindo de uma maratona de quatro shows só na terça, João mostrou seu mix de música baiana, brega (no sentido de que brega é um gênero musical marcado por bolerinhos e timbres ultrapassados de teclados), forró com timing de Genival Lacerda, humor herdado de Costinha (e Tom Cavalcante, uma de suas referências) e rock, em músicas que, caso não quisesse, não precisaria nem cantar, já que a plateia faz isso por ele. Eu não presto, As nêga endoida, Bicha boa do caray e a abertura com o rock-axé Ninguém segura - além da politicamente inadequada Sarará, em cuja abertura relata à plateia: "Pelé pegou Xuxa, Toni Tornado pegou Arlete Salles, eu também quero uma galega. Outro dia eu estava no shopping e me viram com uma loura, daí perguntaram o que ia sair dali. Falaram até que ia sair uma zebra!".


Mais: se ao dar três shows no Rio em 2010, foi visto por muita gente da plateia como uma cópula bizarra entre Raimundos e Exaltasamba - sem fazer exatamente grande sucesso e espantando uns e outros-, no Recife, em meio aos seus, ele se sente à vontade até para prestar homenagens "ao reggae de Bob Marley, Alpha Blondy, Gregory Isaacs  e Peter Tosh" e encaixando uma pedra do reggaeman baiano Edson Gomes, Vem me regar



Processado por uma ONG ligada à causa GLBT por causa de sua canção casca-grossa Ei boyzinho (Papa-frango), João aproveita a música para, pelo menos à sua maneira, discursar contra o preconceito. "Ele está é no boyzinho que ganha tudo do frango (homossexual, na gíria local) e não assume sua sexualidade", brada, antes de emendar. "Você, para mostrar que não tem preconceito, faça um favor para mim: abrace seu amigo frango que está ao seu lado. Agora você, menina, abrace sua amiga sapa". Entre abraços e risadas na plateia, João ainda faz troça do sinal de S2, marca registrada dos grupos coloridos e das novas duplas sertanejas,misturando-o com uma coreografia nada politicamente correta em Tu me fudeu, versão casca-grossa para Beautiful girl, sucesso do desaparecido Sean Kingston. Diversão garantida no encerramento do Carnaval.


Foto: Divulgação/Lu Streithorst

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