SIM, HÁ FUTURO | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

17.09.2011 | 16:21

SIM, HÁ FUTURO



Tem filme sobre os Sex Pistols vindo aí. Sons of Norway, drama norueguês cuja história gira em torno de um adolescente que descobre o clássico Never mind the bollocks (1977), do grupo punk inglês, tem a participação de ninguém menos que John Lydon, vocalista da banda. Johnny Rotten, como era conhecido em seu período punk, fez a produção executiva e até atuou no longa. Mas revela que, apesar de ter adorado trabalhar no filme, suas razões foram bem pouco artísticas.


"Fiz por grana", lembra o músico à Spinner, mordendo e assoprando. "É um excelente filme, honesto e verdadeiro como a representação da vida como nós a conhecemos. É um filme alegre que celebra a humanidade e acaba com todo e qualquer rumor sobre a negatividade do punk".


Realmente, a história escrita por Nikolaj Frobenius e dirigida por Jens Lien é tudo, menos negativa ao abordar a chegada do punk à vida de um adolescente. Ganha ares de drama-comédia ao relatar o dia-a-dia, em 1978, de um garoto de 14 anos, Nikolaj (Åsmund Høeg) que vive com o irmão mais novo e os pais hippies, Magnus (Sven Nordin) e Lone (Sonja Richter). Vai tudo bem até que Lone morre num acidente de carro e Magnus cai em depressão. Apresentado por um amigo ao disco dos Sex Pistols, Nikolaj passa a tocar guitarra. O pai se livra da depressão encorajando o filho a ser músico e ouvindo os mesmos discos que ele - e fazendo zona pelas ruas com o moleque e seu melhor amigo.


Para Frobenius, nada melhor do que ouvir o velho punk elogiando seu filme. "Esccrevi uma cena para ele, e pensamos, 'vamos pôr no script e ver o que acontece'", conta. "Não estávamos muito otimistas de que conseguiríamos Lydon para aparecer no filme".


Lien lembra que a primeira aproximação foi feita no camarim de um show da segunda banda de Lydon, Public Image Ltd, que voltou para uma turnê. "O empresário dele disse que não poderia garantir. Insistimos e ficarmos por duas horas na chuva esperando para entrar e falar com ele. No fim das contas, ele abriu a porta e pudemos mostrar a Lydon o roteiro cara-a-cara. Acho que aí eles viram que estávamos falando sério e que não estávamos lá apenas para garantir uma celebridade para o filme".


O diretor e o roteirista frisam que os anos e anos de estrelismo demonstrado por Lydon em entrevistas e no trato com colegas de profissão passaram longe das filmagens. "Ele foi o tempo todo brilhante e esperto. Foi uma joia termos Lydon no set. Também foi flexível e engraçado". Lydon continua o clima de rasgação de seda: "Fico orgulhoso e agradecido que as pessoas envolvidas no filme tenham apreciado minha participação, tanto quanto eu apreciei o trabalho com elas".


Sons of Norway foi exibido em 9 de setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Detalhe: com Frobenius e Liens assistindo ao filme com o imprevisível Lydon, que só havia visto pedaços do longa e pela primeira vez, apreciava o filme numa sala de exibição. "Estávamos lá pensando sobre qual seria sua reação. Ele não havia visto o filme na tela grande, só alguns pedaços", afirma Lien, que tremeu nas bases ao ver que o velho punk nem foi falar com eles após a exibição. "Ele só saiu do cinema e achamos que nunca mais o veríamos de novo. Bom, depois ele voltou e foi bem positivo com relação ao filme. Ele apoiou a gente o tempo todo e, acho, se conectou ao filme num nível emocional".


Assista abaixo ao trailer de Sons of Norway.





Foto: Divulgação

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