FICA AÍ, VAI TER BOLO | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

21.11.2011 | 10:00

FICA AÍ, VAI TER BOLO



Nesta segunda (21), sai a edição recauchutada de Some girls, disco de 1978 dos Rolling Stones, e o guitarrista Keith Richards lembra à Spinner que os 50 anos da banda, comemorados em 2012, não vão passar em branco. Ele já se prepara para ensaiar com Ron Wood (guitarra) e Charlie Watts (bateria). E todo mundo está convidado para a festa - até mesmo ex-integrantes da banda, como Mick Taylor (guitarra) e Bill Wyman (baixo).


"A ideia é começar em dezembro. Pensei: 'Jesus Cristo, não tocamos juntos por anos. Melhor nos juntarmos logo'. É basicamente uma jam", diz o músico, que toca de tudo com eles, de clássicos dos Stones a blues velhos. "Tocamos qualquer coisa,mas não posso te dizer o quê. Não sou Nostradamus, meu amigo. Não posso te dizer nada sobre isso porque não sei nada mesmo. A não ser que vamos tocar".


E, afinal, Mick Jagger, sempre o mais refratário a uma volta, vai entrar nessa? "Claro. Todo mundo é benvindo. Estava indo chamar Bill Wyman e Mick Taylor. Eles são todos Stones, não são? Então por que não?"


Some girls ganha espaço especial em Vida, bio do guitarrista. Ele chega a afirmar que dormiu no estúdio, em Paris, e foi acordado por uma banda de música da polícia que gravava no mesmo local. 


"Fui acordado por eles tocando lá", lembra, rindo. Keith recorda que eram sessões longas, que não começavam antes da meia-noite - e que o sol já havia nascido quando ele saía das gravações. "Resolvemos ser uma banda mais básica nesse disco. Era o primeiro álbum que fazíamos inteiro com Ronnie (Wood, na guitarra) e nos sentíamos dessa forma. Entramos cada um na do outro na hora de gravar. Ronnie e eu percebemos uma maneira de tocar juntos. Você não sabe nem qual guitarra está fazendo o quê. É o prazer de tocar com duas guitarras ou três".


Enfrentando a justiça na época por causa de uma prisão com heroína em Toronto, Canadá, Keith lembra que usava o estúdio como válvula de escape. "Uma vez que entrava em estúdio, esquecia isso tudo. A música faz isso, eu acho. Ao mesmo tempo, nunca estive convencido  de que haveria uma consequência dessas coisas todas. Nunca achei que fossem me colocar na cadeia".


Keith lembra que seu último disco usando heroína foi justamente Some girls. "Foi um experimento que durou muito, e eu já estava por acabaá-lo quando estávamos editando o disco. Nunca me senti como naquela história sobre o Charlie Parker e os saxofonistas, em que falavam que os músicos poderiam cair dentro da droga porque ela é que o fez ser um grande músico. Mas ela não te faz tocar melhor. Te dá um ponto de vista diferente das coisas. O maior dos pontos de vista é o de sair fora do inferno".


Foto: Divulgação

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