15.04.2011 | 20:37
BRISA MUSICAL
Ricardo Schott
"A gente vive num mundo que é diferente do que era há 20 anos. Para se manter no mercado musical tem que interagir, tem que trabalhar com outras pessoas e saber focar". Foco é tudo para Rodrigo Sha, saxofonista carioca de 35 anos, que um dia pode estar no palco com Leo Jaime e no outro com seu projeto paralelo de street jazz, Os Roncadores (já agendado para se apresentar no Rock In Rio), e ainda arruma tempo para lançar um novo disco solo, Tom - que apresenta neste sábado, em shows de lançamento na 00, na Gávea, no Rio, dando foco ao single Vem vem, cujo clipe você assiste abaixo. E também põe na agenda a dedicação total à mescla de jazz e MPB, que busca popularizar a cada apresentação nova.
Antes de tudo, o show de Sha - ele já adianta - é para dançar. "Não quero a galera só assistindo. Quero trazer o pessoal para perto. Não é para assistir sentado, é pé na porta. Todo mundo acha que o jazz é uma coisa sisuda. A gente tem que tirar isso delas", diz Sha, um cara que já passou por grupos de reggae como o Medusa's Dread, projetos diversificados como o Ideia Rara e mistura seu som a batidas eletrônicas sempre que pode. E, mesmo referenciando-se em nomes como Chet Baker, Miles Davis e outros grandes nomes, prefere mesmo é referenciar-se no som pop e soul de Stevie Wonder. "Geralmente as pessoas querem botar tudo o que aprenderam, todas as notas que existem. Eu vou naquela história, vou naquela nota especial".
A música veio para Sha antes mesmo de ele adotar esse nome artístico. O que havia antes era Rodrigo Otávio Soriano Szwarcwald, um cara criado em Copacabana, com sobrenome complicado (o que gerou a tal alcunha reduzida) e que começou a estudar música ainda na escola, fazendo parte de corais e tocando violão. Primo de George Israel, saxofonista do Kid Abelha, passou a alugar o parente ilustre pedindo um instrumento para tocar. "Ele me emprestou um sax velho. Comecei a estudar e tive vários mestres", lembra Sha, que também fez parte do reduzido número de discípulos do clarinetista Paulo Moura (1932-2010), numa época em que se interessou pelo instrumento. "Ele era exigente. Era do tipo que, se eu chegasse lá dizendo que não havia estudado direito, me mandava voltar para casa", lembra o músico, que fez de outros mestres, amigos. Um deles é Roberto Menescal, pessoa importante na produção de Tom, seu novo disco. E que sobe ao palco do 00 com ele.
"Ele é o mestre dos mestres. Comecei o projeto com ele, Mostrei uma versão que fiz em bossa nova de As time goes by e ele deu a idéia de fazemos um disco relendo standards, mas com algumas músicas autorais". Uma ida para Nova York para tocar com Bebel Gilberto acabou gerando outras oportunidades, como a de gravar por lá, com a banda que acompanha a filha de João Gilberto - incluídos aí músicos como Masa Shimizu (baixo e guitarra), Elin (vocais) e John Roggie (teclados). "Aluguei um estúdio e fomos gravando em três dias livres. A idéia era fazer um disco para o Brasil, mas pensando no mundo". Seguindo esse conceito, surgiram canções próprias como Vem vem, Radio soul, Essa brisa (parceria com Menescal) e relentaras como Fly me to the moon (Bart Howard). "Uma coisa foi chamando a outra, foram pintando oportunidades que levaram ao disco. Adoro poder trabalhar com pessoas que sei que vão acrescentar ao meu trabalho".
Confira abaixo o clipe de Vem vem.
00, Av. Padre Leonel Franca, 240 (2540-8041). Sábado (16), às 17h. Ingressos a R$ 30 (com CD Tom incluso). Livre.
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