MISTURA ATÔMICA | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

22.03.2011 | 16:26

MISTURA ATÔMICA

Gerhard Brêda



A faixa etária da MTV cai à medida em que as calças coloridas na programação se expandem. O canal jovem, que já foi referencial do consumo pop e meca dos videoclipes, chegou a rejeitar o formato num primeiro momento e, nos últimos dois anos, botou sua mira no emo e no happy rock. Em 2011, como de costume, a emissora muda o formato. Pôs no ar o cantor e compositor pernambucano China para comandar o Na brasa, um programa para artistas brasileiros - e só.

Em papo com o LABORATÓRIO POP, China diz que apelo popular é “conversa mole” e que a exposição dita o que faz sucesso. O cantor segue carreira solo, prestes a lançar o disco Moto contínuo, mas toca em paralelo o Del Rey, banda formada com os integrantes do Mombojó e que só toca covers do rei Roberto Carlos.


Defina o Na brasa... 

É um programa que vai tratar de música brasileira do jeito que ela merece e com espaço garantido para os grandes e pequenos da música brasileira. Acho que o formato de festivais foi esquecido ou deixado de lado pela mídia. Como telespectador, adoraria ver um festival bacana de música na televisão.  

 


Nos últimos cinco anos, a MTV se aproximou de um público jovem, apaixonado por esse rock emo/happy. Um programa mais adulto, MPBzado, brasileiro, não vai afastar esse público?

 

Não é um programa MPBzado. Estamos tratando de vários segmentos da música brasileira, não só a MPB. e sobre o público. Não sei se vai afastar ou não. Se eu fosse adolescente ficaria esperto e abriria os ouvidos para outros sons. 

 


Na Era dos Festivais, a MPB de Chico Buarque, Caetano Veloso e  Gilberto Gil tinha grande apelo popular. Quais artistas nacionais fora  da faixa teen têm esse apelo?

 

Esse papo de apelo popular é conversa mole, cara. Se você tocar Bach todos os dias na rádio e na TV, pode ter certeza de que todo mundo vai cantarolar as suas peças por aí. Você não acha que Otto, por exemplo, não cairia no gosto popular se tocasse todo dia na rádio e na TV? E mesmo na época dos festivais...o Quarteto Em Cy não era um grupo conhecido. Foi a partir dos festivais que a coisa mudou para elas.

 


Você  disse que quer o clima dos festivais, com um cantor mais carrancudo, outro mais carismático, outro mais malandro. Como pretende fazer funcionar isso?

 

Isso é outra coisa. Essas são as apostas MTV. Outra parada que não tem necessariamente a ver com o Na brasa. A MTV, ao longo do ano, vai apresentar 30 bandas novas… Dessas 30, sobrarão os indicados a categoria aposta no VMB. Como formato de programa, seria interessante ter bandas diferentes, não só nos estilos musicais, mas também nas personalidades. Pois queremos entender o perfil do novo artista brasileiro.   

 


 O que te dá mais prazer e dinheiro? Estar solo ou com o Del Rey?

 

Toda vez que subo num palco eu tenho prazer, independentemente do trabalho que estou executando e do dinheiro que vou ganhar no fim da noite. O Del Rey é apenas uma brincadeira. Tocamos quando dá. Se por acaso tiver show meu ou do Mombojó, a data que estaria marcada para o Del Rey cai. Tocamos para nos divertir e o Del Rey não dá trabalho nenhum para fazer, é uma alegria. Agora estou em fase de acabamento do meu disco novo, Moto contínuo, que deve ser lançado em maio. Daí vou rodar o país fazendo shows da minha carreira solo. E, se der pra fazer shows com a banda, legal. Se não der, tranquilo também, pois temos isso resolvido na banda.

 


Foto: Divulgação

 


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