O GUERREIRO POP | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

07.05.2010 | 19:25

O GUERREIRO POP

Ricardo Schott



Periferia da periferia do Rio, São Gonçalo já deu muitas coisas interessantes ao pop. Algumas delas, imediatamente absorvidas pela vizinha Niterói. Claudio Zoli, Claudinho & Buchecha, Renato Rocketh (autor de um dos maiores hits de Marina Lima, Uma noite e meia), todos vieram de lá. Gilber T, liderado pelo músico Gilber Chavão, 39, é mais um projeto de respeito a sair da cidade – adormecido pelas forças ocultas da indústria do disco nacional. O som é pop à exaustão, mas ao mesmo tempo não apresenta facilidades ao ouvinte. Ou melhor, apresenta sim, já que canções como Eu não vou morrer hoje!, U.T.I., Eu, você e Suzie e Se você for embora, do disco de estreia, Eu não vou morrer hoje!, descem macias, prontinhas para a rádio. Prestando mais atenção, descobre-se um mundo de referências: o lado country dos Pixies e de Frank Black, Johnny Cash, The Minutemen, Prince, em meio a teclados, samples e batidões, que seguem até mesmo em direção ao rap e ao funk carioca. E para reproduzir isso tudo ao vivo? Confira dia 8 de junho, quando Gilber T faz o show de lançamento do CD como atração principal do encerramento das Seletivas MADA-LABORATÓRIO POP, no Zozô, na Urca.

“A ideia é ser orgânico. Os caras tocam mesmo o que tem no disco. Mas cada um traz suas idéias”, começa a explicar Gilber T, que chegou a participar das seletivas, não foi classificado pelos jurados, mas encantou a equipe do LABORATÓRIO POP. “Tem guitarra de reggae, uma série de coisas. O Kleber, baixista, é meio quem coordena tudo. Mas, apesar de usarmos muita eletrônica, decidimos não depender disso. Fui num show outro dia em que o tecladista usava um Mac e, na hora H, tudo travou. Quisemos nos aproximar do que tem no disco”.

Gilber, que assume voz e guitarra e, além de Kleber, deixa-se acompanhar por Bruno Marcus (synth e banjo), João Pinaud (guitarra) e Gil Mendes (bateria) – todos, como ele, integrantes da banda experimental niteroiense Laura Palmer. E, fora dos palcos, ouve, além dos citados, Nina Simone e muito folk. Além do reggae de Bob Marley e muito dub. “Fico impressionado com Sly & Robbie, os caras mixam ao vivo no estúdio. E TV On The Radio me impressionou. Nem pelo fato de os caras serem negões, mas por soarem trip-hop, reggae”.

Com solos de guitarra herdados do rock clássico até mesmo na quase-rap Alameda São Boaventura, homenagem ao um dos maiores pontos de ligação entre sua cidade e Niterói (ou ao Rio), ainda assim o som não permite firulas. “O Gil (baterista) sabe fazer viradas, mas ele não faz no show. É para ser simples”.

O nome do projeto é Gilber T. Nada de Gilbert, como sai publicado em vários lugares – o próprio LABORATÓRIO POP se enganou quando cravou o nome da banda entre as classificadas das seletivas MADA-LABORATÓRIO POP. “Esse T pode ser tesão ou ternura”, brinca Gilber, confessando que o nome é uma referência a seu primeiro projeto musical que chegou a grandes públicos: a banda Tornado, que, na década passada, apareceu na MTV e participou de coletâneas, com sua união de rock e black music. A paixão pelos sons negros nasceu ainda no colégio, com ele, o batera Gil e o amigo rapper Speed.

“Eu e Gil tínhamos uma banda chamada 44 Tornado Rappers. Economizávamos dinheiro da merenda para comprar revistas e fazíamos scratches numa vitrolinha da Mônica, daquelas pequenas. O Gil arrumou uma bateria de amador, que tinha um ferro podre, você apertava e ele desmanchava”.

Com Speed, assassinado em março último, houve uma relação de aprendizado mútuo. Gilber ensinou o amigo a tocar a primeira música ao violão, Ainda é cedo, da Legião Urbana. “Ele já era baixista, mas fazia uma coisa básica. Ensinei Claudio (nome verdadeiro de Speed) a fazer uns slaps. Depois ele desapareceu por uma semana. Cara, ele passou uma semana praticando o slap em casa”, lembra Gilber. Passou a tocar tão bem que (dizem), em uma ocasião, bêbado, pediu o baixo de Arthur Maia – baixista de Gilberto Gil e considerado um dos maiorais das quatro cordas – para dar uma canja num bar. Entrou na jam session e foi aplaudido pelo dono do instrumento.

Gilber responsabiliza Speed, que participou de canções como U.T.I. e Alameda São Boaventura, por toques fundamentais no álbum. “Ele sugeriu o nome do projeto. Falou: ‘Sua voz não é de neguinho de festa, é de cara que trabalha’ “, diz Gilber, que, fora da música, trampa diariamente como vendedor das Casas Bahia.

A própria U.T.I.  surgiu de um insight do amigo, que via Gilber sofrendo diariamente com a situação do pai, internado em hospital público por crise renal. “Quando ele veio com a ideia, pensei: ‘Ih, mas isso é baixo astral pra c...’. E numa tarde o beat já estava pronto”, recorda Gilber, com saudades do amigo. “Lembro que uma vez ele perguntou para alguém na rua como eu estava. Responderam que eu estava trabalhando de vendedor e ele: ‘Não, cara, te perguntei como ele está, não o que ele está fazendo’. Numa época, ia à casa dele e ele falava: ‘Esquece a música, vamos falar de amenidades’. Passava caminhão de lixo  e ele falava: ‘Tá vendo, cara? Ali tem gente. Tem cara que mexe no seu cocô e depois vai para a casa e trata bem a família’”.

No momento que você lê essas linhas, Gilber, e só ele, pode estar se preparando para mais uma apresentação de seu alter-ego. “É o que eu chamo de Black Dylan”, brinca o músico, que mistura Réu confesso, de Tim Maia, e I want you back, dos Jackson 5, nessas apresentações. “Ou Asa branca, do Luiz Gonzaga, com Beastie Boys, mas meio corridinha, meio punk”.  Apesar de ter o som nas veias, Gilber não deixa a humildade de lado, mesmo quando fala de seu trabalho diário. “Ser vendedor me ajuda a aprender um bocado sobre relações humanas. Mas sempre fui mesmo é músico. Já estou com a cabeça no segundo disco”.

Ouça o som de Gilber T aqui: http://www.myspace.com/gilbert2604

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FORMULE

Postado Por MURILO BAX

07.05.2010 | 20:04

Vi esse cara na Melt. Vai bombar, muito bom o som dele. demaxxxx

Postado Por VITOR

07.05.2010 | 20:24

Acho uma puta falta de ética esse cara estar tocando na final se ele já participou do festival e nÃo foi classificado. Falta de respeito com as bandas. o LP esse ano mandou mal varias vezes...

Postado Por SELETIVAS MADA

08.05.2010 | 13:11

Sim, ele não foi classificado e não será. Ele não está na final competindo. Ele é ATRAÇÃO da final. O LABORATÓRIO POP escolhe o artista que quiser para tocar em seus eventos

Postado Por RONALDO CAMPOS

08.05.2010 | 16:23

Cara fico muito feliz em ver o Gilber t com essa formação ,Bruno arrebentou na produção junto com Gilber ...O DISCO TÁ FO.....A BANDA COM MUITA PEGADA....DEPOIS DISSO TUDO MERECIMENTO, PALAVRA QUE MUITO SERVE PARA ESSA RAPAZIADA .GILBER T PARA O ALTO E AVANTE!!!!!

Postado Por LOS BIFE

08.05.2010 | 21:42

Vitor entendeu tudo errado, hehe\r\n\r\nEstarei lá na final! Como pagante, não competidor, hehe

Postado Por OSWALDO COYOTE

09.05.2010 | 13:47

Maravilha vai ser o show de encerramento do Gilbert, pq eu to afins de ver o show ja faz tempo, e dessa vez não perco.\r\nValew Gilbert e Brunão ! sucesso rapaziada

Postado Por VITOR

09.05.2010 | 21:02

Não estou nem falando se o Gilber T merece ou não estar tocando lá. Com certeza merece, as músicas são boas. Mas isso é sim falta de ética do laboratório pop. Eles podiam até chamar o cara pra próxima edição como já fizéram esse ano mas no mesmo festival é totalmente errado. Dá pra ver que eles não deram o mesmo tratamento para todas até pelas entrevistas que rolaram aqui. Uma pena. Mais um festival que cai em conceito aqui no RJ...

Postado Por MARCELO FREITAS

10.05.2010 | 10:43

Ou esse Vitor é burro ou se faz de burro. Não tá vendo que o cara não tá concorrendo, meu? vc deve ser de uma desssas bandas merdas e sem público que não passaram. vai curar essa dor de cotovelo tocando no Saloon, vai

Postado Por ROCKER RJ

10.05.2010 | 11:14

essa polêmica levantada tá interessante, esse vítor gosta de aparecer (ele é burro mas é polêmico), e o gilber t é uma banda realmente boa. Acho que essa final vai pegar fogo!

Postado Por VITOR

10.05.2010 | 21:56

Galera, vocês nÃo estão me entendendo. eu nem nÃo estou detonando ninguém e nem tenho banda. É só uma questão que eu levantei pois fui em todos os shows... É JUSTAMENTE por não estar concorrendo e por ter sido chamado denovo. Se ele tava no festival e nao passou, acabou. Mesmo não concorrendo, o cara foi chamado de novo, meio que favorecendo a imagem dele e deixando para tras as outras que não passaram. Mas enfim. Estou falando com todo respeito e só debatendo. Ninguém precisa ficar chateado com isso pois é só a opinião de alguns ouvites/leitores.

Postado Por MATHEUS

03.06.2010 | 15:44

Então é isso? O cara perde o festival e não tem o direito de, por méritos próprios, conquistar reconhecimento? Se ele foi chamado pra tocar como convidado na seletiva foi porque foi escolhido pelo talento. Assim como qualquer outro artista, no mundo, poderia ser escolhido. Não é uma questão de ser privilegiado frente a outros candidatos. Até porque a competição da qual ele participou já está no passado.

Postado Por ADRIANA

07.06.2010 | 13:32

O produtor tem todo o direito de escolher quem quiser pra tocar no seu festiva. E as pessoas, sejam músicos, produtores ou platéia, têm o direito de dar sua opinião. E vcs, especialmente os produtores, esse cara do mada que não se identificou, deveria tratar melhor seu público. Não tenho nada a ver com essa história, não moro no rio, aliás moro bem longe, e acho lamentável essa falta de respeito. Também sou produtora e escolho quem eu quiser pra tocar no meu festival, mas isso não quer dizer que possa ser grossa desse jeito. lamentável, mada\r\n

Postado Por NOME

04.08.2010 | 12:41

Ae Galera nao deixem de conferir o som da Banda Gêmini mt bom esses caras. http://www.myspace.com/geminioficial