METALEIRO TAMBÉM TEM SAUDADE | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

08.04.2011 | 12:52

METALEIRO TAMBÉM TEM SAUDADE

Ricardo Schott



O rei do metal Ozzy Osbourne passou pelo Citibank Hall, no Rio, nesta quinta (7). Apesar da pista premium enorme - ocupando quase metade da extensão da casa, deixando a maioria dos fãs lá para trás e, no comecinho, dando a impressão de que Ozzy cantaria para meia dúzia de gatos pingados endinheirados - quem viu, viu. As apresentações do morcegão  no Brasil, em meio à sua turnê Scream, trouxeram o cantor numa forma inimaginável pra seus 62 anos, ainda mais levando em conta as aventuras narradas na autobiografia Eu sou Ozzy. Deixaram uma certa aparência de algo programado, sem muitas surpresas, até pelo set list já amplamente divulgado na internet, e que trazia (opa) uma mescla de clássicos (menos No more tears, marca registrada do ex-guitarrista de sua banda Zakk Wylde, pedida pelo público aos brados bizarros de "no more fear!" - sic!!!) com músicas do Black Sabbath. Do disco novo, só Let me hear you scream. No mais, Suicide solution, Shot in the dark, Mr Crowley, Crazy train e outras gemas do heavy metal.

 

Comparando com shows como o último de Ozzy no Rio, sua voz - que, na verdade, nunca foi das mais afinadas - chegou a um ponto em que as falhas são perdoáveis. Só Let me hear you scream pareceu irreconhecível, com vocais agudos e desafinações estranhas. O número considerável de canções do Sabbath (todas do Paranoid, de 1970) deu a entender que Ozzy ainda se interessa pela banda e pode até querer voltar a assumir o lugar que é seu, após a morte de Ronnie James Dio. Em canções do disco como War pigs, Paranoid e Fairies wear boots, o novato guitarrista Gus G ganhava um companheiro - o tecladista Adam Wakeman, filho do ex-colaborador do Sabbath Rick Wakeman, largava os sintetizadores e segurava as seis cordas, na base. 

 

Tanto Gus e Adam quanto o baixista Rob Nicholson e o batera Tommy Clufetos desempenham bem seus papeis de músicos excelentes, com frieza suficiente para honrarem seus cachês e a criatividade necessária para fazerem parte de uma grande banda de metal da qual Ozzy, o popstar, é o vocalista. São capazes tanto de mostrar suas assinaturas nos clássicos da banda quanto fazer a parte mais difícil, que é a de emular o ataque sonoro dos sabbaths Bill Ward (bateria), Geezer Butler (baixo) e Tony Iommi (guitarra). Bom, nem tanto. Rat salad, instrumental da banda colocado no set list de maneira estratégica para que Ozzy pudesse descansar sua voz,  vira virtuosismo puro - o solos animalescos e suingados de Ward viram, nas mãos e pés de Clufetos, uma base fincada no chão, com dois bumbos. Meio exibição de circo.Gus, numa de homenagear o Brasil, abre a música com (olha só), Brasileirinho, de Valdir Azevedo, num clima meio Pepeu Gomes. Aí deu certo.

 

Com fãs e mais fãs ostentando papeis impressos contendo o set list do show, dá para dizer que o universo das grandes turnês - acompanhadas pelo público, bem de perto, pelas redes sociais - perdeu um certo romantismo e todo tipo de surpresa. Mas as expectativas do público pelos grandes riffs do Black Sabbath, em especial o de Iron man, talvez tenham mostrado que no caminho de Ozzy pode estar uma volta ao passado. E, quem sabe, aos shows dedicados apenas ao repertório de um único disco, grande moda atual.


Foto: Luciano Oliveira

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Postado Por RAFAEL BRALHA

08.04.2011 | 15:32

Se ele faz uma turnê tocando só o \"Diary Of a Madman\" vou até o inferno assistir!