SARGENTO PIMENTA E SUA BANDA | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

24.05.2011 | 08:48

SARGENTO PIMENTA E SUA BANDA

Gerhard Brêda



Sir Paul volta ao solo brasileiro. Bem, já voltou, com um show abarrotado de fãs histéricos, jovens curiosos, hipsters, velhos, mulheres e crianças neste domingo (22). Com apresentações muito parecidas, fica claro o apelo pop do verdadeiro panteão de hits do Beatle, que arrastou multidões nas quatro datas que fez pelo Brasil. O show desta segunda (23) foi, em sua maior parte, bastante parecido com o primeiro show de São Paulo, com algumas mudanças no repertório aqui e ali, algumas (poucas) piadinhas novas acolá, e por aí vai.


Se você foi ao show de SP (qualquer um dos dois), sabia mais ou menos o que esperar de Paul e seus afiados músicos de apoio. Mesmo além dos seus profetizados 64 anos, Macca mostra o poder do quarteto de Liverpool e ainda faz uma vitrine de sua impressionantemente pop carreira solo ou seu período com os Wings nos anos 80.


No palco, Paul se diverte com o público. Eterno showman, o Beatle demonstra uma empolgação em tocar seus hits mais manjados com a empolgação de iniciante. Para os fãs histéricos, o Macca em cima do palco é o vegetariano boa-praça e multi-instrumentista, um ícone imortal do pop. Para o olhar mais atento, dá para ver que McCartney está perdendo o fôlego. Após algumas músicas mais exigentes, por uma fração de segundo, é possível ver nos pixels do telão, o cansaço, que transparece em algumas falhas de voz, a mais notável surgindo em Blackbird. O cerne franzido e preocupado, exausto, é substituído subitamente por um sorriso bonachão. É um showman, afinal de contas, e o show não pode parar. E quando Paul acerta um berro, ataca exatamente na cabeça da nota, é difícil não tremer nas bases: é uma das maiores vozes do rock e ainda tem um alcance impressionante.



Embora seja claramente um show de Paul McCartney, a maior fatia do repertório ficou com faixas compostas em seu período como um dos fab four. Paul é talvez o único Beatle, vivo ou morto, que consegue ficar lado a lado com seu catálogo, sem ser esmagado pelo peso de seus hits, mas sem tentar omitir seu período mais criativo. Paul se agiganta ao lado das músicas dos Beatles, com performances explosivas de Band on the run e Live and let die, mas reverencia humildemente a vida própria que tomou um hit como Hey Jude. É piegas, vá lá, mas poucas coisas são mais impressionantes que um estádio inteiro cantando a plenos pulmões o notório “na na na na, hey Jude”. O poder das músicas dos Beatles, mesmo 50 anos depois, ainda vive nas lágrimas de pessoas que nasceram mais de 10 anos da morte de Lennon, e que se perdiam nos belos acordes de Yesterday ou se comoviam com a homenagem aos “amigos John e George” na forma de Here today e Something, respectivamente.



Paul McCartney entrega um belo show de arena, talvez o primeiro de uma grande parte do público que abarrotou o Engenhão e enfrentou as filas homéricas do metrô para chegar e sair. Macca consegue, de alguma forma muito difícil de explicar, viver de seu catálogo sem parecer que está extorquindo suas velhas composições. Cada acorde dado no show é pensado milimetricamente, mas é atacado com tanta sinceridade e reverência que é difícil não se impressionar. Quando Paul toca suas músicas após os Beatles, mostra seu refino como grande compositor pop. Quando se aventura nos hits do quarteto de Liverpool, quase é possível ver George, John e Ringo no palco, de terninhos alinhados ou barbas desgrenhadas, sorrindo e cantando em uníssono.

 

Foto: Marcos Hermes/Reprodução

Leia outras notícias sobre música

FORMULE

Postado Por

24.05.2011 | 16:05

\"seu período com os Wings nos anos 80. \"\r\nO Wings foi formado em 71 e acabou em 81.