GERAÇÕES (QUASE) SEM CONFLITO | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

07.10.2011 | 11:58

GERAÇÕES (QUASE) SEM CONFLITO



“Curto dizer que essa é a primeira gravação dos Doors no século 21”, afirma o tecladista da célebre banda sessentista Ray Manzarek, em papo com a Rolling Stone. Ele e seus companheiros de banda, John Densmore (bateria) e Robbie Krieger (guitarra) estão trabalhando com o DJ e produtor Skrillex em uma música para o filme Re: Generation, que recrutou cinco nomes das carrapetas e da produção para trabalhar com artistas de cinco gêneros musicais diferentes. A ideia é que eles entrem em estúdio e saiam com alguma coisa nova. Veja os três Doors com o DJ abaixo.



Além de Skrillex, o projeto – que tem produção do prêmio Grammy e direção de Amir Bar Lev – faz outras misturas. Dj Premier faz uma composição clássica com Nas e a orquestra da Berklee School of Music. Pretty Lights faz uma canção country com Leann Rimes e Ralph Stanley. The Crystal Method passou dois dias gravando em Detroit uma canção r&b com a veterana Martha Reeves. O produtor Mark Ronson, por sua vez, mandou bala num tema de jazz em New Orleans com a cantora Erykah Badu e integrantes dos Dap Kings (banda que acompanhou Amy Winehouse em Back to black, disco do hit Rehab, de 2006) 3 do Trombone Shorty.


A Rolling Stone classifica alguns momentos como “peixes fora d’água”. Ligado à música eletrônica, Pretty Lights lembra que, ao chegar no estúdio em Nashville, se sentiu como se todos falassem uma língua estrangeira. O contato entre ele e os músicos beirou a hostilidade. “Foi complicado expressar minhas ideias para um monte de músicos feras do country que me olhavam numa de: ‘quem é esse moleque?’”, recorda. “Ralph Stanley apareceu, tentei mostrar a ele minhas ideias e ele respondeu: ‘não, acho que vamos fazer do meu jeito, mesmo’”.


Manzarek e Skrillex, por sua vez, não tiveram problema algum – pelo contrário: envolveram-se numa conexão musical imediata. “Ele mostrou seu beat e tudo o que tivemos que fazer foi tocar. Ouvi tudo e disse: ‘puta merda, é isso!’ Basicamente, foi uma variação de Milestones, de Miles Davis e soou hot as hell”, diz o criador do riff do clássico Light my fire.


Crystal Method e Martha Reeves também rolou em boa sintonia. “Foi legal, ficamos imediatamente numa boa com ela”, conta Scott Kirkland, do CM. “Mas havia momentos em que estávamos tentando cortar as letras e ela: ‘não, não!’”.


O filme ganha exibição em 2012 e ocupará uma parte bem grandinha da semana do Grammy no ano que vem, com os artistas envolvidos fazendo “remix labs” no museu do prêmio.


Foto: Reprodução

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