20.04.2010 | 18:14
RELATO SONORO
Ricardo Schott
Marcio Biaso é daqueles caras envolvidos com música 24 horas por dia. Sócio do estúdio Atemporal, no Flamengo (Zona Sul do Rio), produz, grava, compõe, faz suas próprias músicas, trabalha com outros cantores e músicos, e ainda dá aulas. Tocando desde os 10 anos, ele diz que chegou a pensar em fazer outra coisa. Mas não deu. “Cheguei a fazer dois anos de faculdade de Farmácia antes de largar e me formar em música na universidade”, lembra ele, que busca agora, em sua estreia solo, Tudo que é meu, fazer um relato das experiências pelas quais passou nos últimos anos.
“O álbum tem músicas de várias épocas. Tem canções não aproveitadas na minha ex-banda, o Reverse. Gosto de canção é de 2000, por exemplo. Queria que as pessoas conhecessem essas músicas porque elas significam muito para mim e retratam momentos diferentes da minha vida” , afirma o cantor, compositor e guitarrista, que contou com o apoio de diversos amigos durante a gravação: Daniel Lopes (com quem dividia a liderança do Reverse), Mila Bartilotti (cantora para quem está produzindo um disco), Apoena (de cuja banda foi músico), Lia Sabugosa (outra cantora do Rio com quem colaborou), Vini D’Ávila (da banda VinDa, radicada em São Paulo). As experiências que teve, gravando como músicos como Fagner e Joyce em seu estúdio, ou tocando na banda do ex-legionário Marcelo Bonfá (gravou com ele o solo Móbile), podem até não ser audíveis em Tudo que é meu. Mas solidificaram o trabalho.
Canções bucólicas como Vai e volta, Chuva, Vida real e Pouco relevante mostram o som de Biaso como algo totalmente dissociado das novidades do rock e do pop. Há sons de violão assemelhados aos Beatles e ao pop mineiro (algo que é entregue de bandeja pela música Blackbird de Minas). “Eu sou mais das coisas velhas mesmo”, afirma Biaso, revelando quem são os poucos novos que vem ouvindo. Alguns, como Keane e Regina Spektor, nem são tão novos ainda – assim como o pianista Rufus Wainwright. Como acontece com todo e qualquer artista independente, os nomes de artistas amigos que pasam à sua frente também surgem no bate-papo, como o novo disco da banda Columbia (Um quarto escuro) e a estreia solo do amigo Jorge Ailton, baixista de Lulu Santos, que sai pelo selo da Paula Toller, vocal do Kid Abelha.
O Reverse, ex-banda de Biaso, deixou marcas fortes na noite musical carioca. A ponto de muita gente, que assistiu aos shows da banda em festivais como o Humaitá Pra Peixe, morrer de saudades de canções como Tempo e espaço e Apaixonada. Hoje, músicas como essas frequentam o repertório até de cantores e cantoras amigos de Biaso e Daniel Lopes, como a própria Lia Sabugosa. O grupo chegou a ser contratado pela Universal, quase ao mesmo tempo que o Moptop. Mas não gravou. “Fomos enrolados durante um ano”, lembra o músico, que, com os amigos, recebeu o contrato para assinar e acabou no meio de uma reviravolta, com a diretoria antiga da gravadora caindo. “Nosso contrato foi cancelado. Resolvemos gravar nós mesmos, mas não achamos nenhum selo interessado”. O final acabou sendo triste para a banda: Daniel Lopes saiu do grupo para lançar o disco solo Mais e mais refrões. “Mas são coisas que ficaram para trás”, garante Biaso. Ficaram mesmo. Nesta segunda (19), no show do Les Pops, banda que Lopes divide com amigos, e que se apresentou nas SELETIVAS DO MADA – LABORATÓRIO POP, Biaso estava na plateia assistindo ao alegre show do parceiro. Difícil não encontrar a dupla reunida na audiência de shows pelo Rio.
E bola pra frente. Biaso agora pensa no show de lançamento. Sempre com amigos e levando o trabalho de sua galera para o palco. “As pessoas têm que juntar força mesmo. Dividir gastos, somar público, fazer barulho”, afirma.
Conheça mais no MySpace de Marcio Biaso:
http://www.myspace.com/marciobiaso
Veja um vídeo de Biaso cantando Tudo que é meu:
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