MEIO FÊNIX, MEIO ABUTRE | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

21.04.2011 | 03:07

MEIO FÊNIX, MEIO ABUTRE

Gerhard Brêda



Wasting light quer conquistar o ouvinte com um soco na cara. Bridge burning, a faixa que abre o novo disco do Foo Fighters, é pesada, distocida, berrada, cheia de riffs. Nesse batuque de tough love, Dave Grohl e sua trupe conduzem o resto do álbum. Em tempos de que o rock é feito por moleques magrelos e andróginos brincando com sintetizadores, é bom ver um cara como Dave Grohl – barbudo, carregando nas distorções, ocasionalmente pançudinho – tomando as rédeas do negócio. “É assim que se faz, moleque”, parece dizer Grohl a essa geração.


Não que o som de Wasting light seja original. É, na verdade, uma fusão a ferro e fogo do Them Crooked Vultures – projeto de Grohl com Josh Homme e John Paul Jones – com o som que o Foo Fighters vinha arrastando pela carreira, um pós-grunge meio pop. Músicas como Rope, inclusive, mesclam as duas vertentes: versos pesados, abusando de riffs e refrões chiclete. E a mistura cai muito bem. O problema é quando algum lado pesa demais, como em White limo, que mergulha em um peso que soa alienígena no contexto do disco.


Arlandria é um experimento de sucesso na fusão de um rock mais clássico como o do Them Crooked Vultures com o formato do Foo Fighters. Soa como um possível hit, se virar single. Não está predestinado a ser um Learn to fly ou Everlong, mas nenhuma música do disco parece trilhar esse caminho. These days segue com um rock quase caipirão, mezzo Alabama, mezzo domesticado e globalizado, com um refrão a la Foo, um pop distorcido embalado pelos berros de Grohl



Dave Grohl soa afiado tanto nos vocais mais tranquilo quanto nos habituais berros. As linhas de guitarras seguem tanto a escola clássica do rock anos 90/00 do Foo Fighters quanto assumem uma postura mais anos 60 e 70 em alguns riffs – como o que abre Back and forth – e algumas distorções pesadas.


O fim do disco reserva espaço para a boa baladinha vintage I should have known e a inspiracional Walk, que funciona como uma versão malvada de Times like these. No geral, a obra é coerente, sem ser monótona. Não reinventa a roda, mas mostra que ainda há espaço para cojones no rock, mesmo em uma era de calças skinny compressoras, cabelos estrategicamente bagunçados, sexualidade ambígua e auto-tune acima do recomendado pela OMS. Dave Grohl, obrigado por sua existência.



Foto: Divulgação

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Postado Por ARAS

21.04.2011 | 16:47

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