NO HACIENDA DA BARRA | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

02.01.2012 | 23:39

NO HACIENDA DA BARRA



Mudou a geografia, mas as Seletivas do Mada, que rolam a partir desta terça (3), no Costello, na Barra, prometem uma nova radiografia do rock carioca para o Brasil. Promovido pelo LABORATÓRIO POP e pela LABPOP CONTENT, o evento troca o lugar da fervilhação artística no Rio, abrindo com o pós-grunge cantado em inglês do Fleeting Circus, o rock sessentista feito por fanáticos por vinil de Os Azuis, as referências do mangue beat de Posada & O Clã e o experimental Filtra. 


“Nosso som é rock’n roll, embora sempre digam que a gente lembra algo de mangue-beat, porque sou pernambucano", diz Carlos Posada, que, com vocais fortes e muita poesia, lidera O Clã e divide as funções com Gabriel Barbosa (bateria), Hugo Noguchi (baixo), Bruno Giorgi (guitarras) e Claudio Serrano (efeitos). "Nem acho que tenha a ver, embora seja uma associação com uma coisa boa”. Experiências diferentes não faltam: Bruno produziu recentemente o disco novo de seu pai, Lenine, Chão, e Noguchi toca no Theremin, formado no reality show Geleia do Rock, do Multishow. “Queremos basicamente mudar o que está aí, fazer tudo diferente”, diz o autor de músicas como Navalha e Lamento


A disposição para inovar é dividida com o Filtra, de Felipe Mesquita (vocal), Matheus Nagem (bateria), Saulo Limeira (baixo) e Thiago Vasconcellos (guitarra). Armados de boas canções como O dito cujo e O evangelho segundo você, cruzando guitarras pesadas e letras reflexivas, eles querem mais que fazer só um show. “É levar o risco para o palco. Nossas apresentações são algo inusitado. Quando começamos, sempre nos perguntávamos como inovar em letras e melodias e acho que fomos conseguindo aos pouquinhos”, diz Felipe, que se prepara para gravar o primeiro disco com os amigos, sob os cuidados de Pedro Garcia (Rockz, ex-Planet Hemp).


Liderada por Taynã Frota (voz e guitarra), a banda Fleeting Circus tem inspiração nos anos 90. Seu som soma grunge e pós-grunge como se uma das décadas mais prolíficas e bacanas do rock nunca tivesse ido embora. Ele e Rodrigo Neves (guitarra solo), Daniel Neves (bateria) e Felipe Vianna (baixo), mandam bala num som que possui a energia e a raiva (por que não?) necessárias para esse tipo de musicalidade, sempre com letras em inglês. O grupo já esteve em outras festas LABORATÓRIO POP e retorna para mostrar canções como Hurricane, Fake station, Underground e outras compostas durante os dez anos de carreira da banda.


Mesmo apostando no rock nostálgico, influenciado pelos anos 60 e pelo punk rock sacana, Os Azuis ousaram bastante ao lançar seu mais recente disco,  Os Azuis II, com músicas como Vadia, Hey hey hey, Coração de pedra blues, A melhor garota do mundo - mandaram para as lojas o álbum nos formatos CD, vinil e digital. “Adoramos vinil e somos compradores do formato. Ficamos muito felizes com a receptividade”, diz o cantor e guitarrista Greco Blue, que divide a banda com os amigos Tomé Lavigne (voz e guitarra), Tomás Bastos (baixo) e Lucas Mamede (bateria e voz). E, como se não bastasse versos como os de O carinha (“baby, cê precisa dar mais atenção pro carinha que você tá comendo”), costumam brincar que o nome da banda vem do fato de todos serem viciados no azulzinho Viagra. A diversão, claro, é garantida, com eles e com todas as bandas da noite.


As Seletivas do Mada acontecem desde 2005 e são um marco do rock carioca. Agora, cruzam todo o primeiro semestre. Terá quatro bandas por semana até julho - com sete bandas na final concorrendo a duas vagas no festival. As quatro do mês disputam na segunda-feira seguinte a vaga . O voto do público na casa vale 4 pontos.

 

O Costello, que em março vira Cortez, é a novidade do circuito alternativo. Desde 2011 abriga festas como Laboratório Pop e Ploc e virou palco para novas bandas. Dirigida pelo jornalista Mario Marques e pelo designer Claudio Brandão, a casa vai se transformar num Hacienda carioca, lendária casa de shows de Manchester nos anos 80.

 

"Sempre foi meu sonho e aos poucos estamos remodelando a casa para a noite", avalia Claudio Brandão, que faz as vezes de DJ. "Tenho certeza de que o Cortez será o point do verão". 

 

Marques, que além de sócio do Costello (Cortez) é diretor executivo da agência digital LabPop Content, cuja sede fica no mesmo prédio da casa de shows, diz que a tendência é o lugar virar referência.

 

"Já é um sucesso no almoço e estamos trabalhando para obter o mesmo sucesso à noite, com uma programação variada, de segunda a segunda", complementa Marques.


Foto: Divulgação


Festa LABORATÓRIO POP/Costello Barra
, Av. das Américas, 3.500, Le Monde, loja A, bloco 6, Barra da Tijuca (21-3495-4401). Terça (3), às 19h. R$ 15 (lista amiga) e R$ 25 (na hora).

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