06.01.2012 | 01:41
FORA DO AQUÁRIO
Ricardo Schott
Digital por excelência, o synth-pop veio do vinil, nos anos 70/80, e volta a ele. Vinda de Londres e formada por um brasileiro (o baixista Marcelo Borges), um inglês (o DJ, produtor e vocalista Mark Costello) e uma italiana (Marina Bulgarelli nas programações), a banda Marina Kulture, que vem para o Brasil para uma série de shows, privilegia os bolachões na hora de lançar seus discos. Seu três singles saíram pelo selo próprio My Veto Records, com distribuição do célebre selo indie Rough Trade. Só agora, aos quatro anos de existência, relançam o primeiro EP em CD.
"Vinil sempre vai ser a melhor forma de mostrar nosso trabalho. Em Londres, tem muitos DJs que só tocam isso", diz Borges. "Acho que é tão difícil lançar um vinil hoje quanto qualquer outro formato. Mas na Europa as pessoas continuam colecionando. Sentem prazer no formato e acham que a qualidade de som é melhor", completa Costello. Entre o pop sintetizado e o som quase pós-punk, tudo herdado de bandas como Silver Apples, Orchestral Manoeuvres In The Dark, The Cure, Joy Division e outros, o grupo é um fenômeno londrino que começou a ser gestado no Brasil, quando Costello e Borges se conheceram, no fim dos anos 90. Na época, o baixista morava em Curitiba e Costello havia ido tocar no casamento de uma amiga em comum.
"Em 2003 me mudei para Londres e passei um tempo na casa dele. Daí ele me convidou pra tocar baixo com ele e depois de alguns ensaios decidimos que precisávamos de uma voz feminina. Mark conheceu a Marina no mercado de rua de Brick Lane, em Londres, e a convidou pra cantar conosco. Ela veio em um ensaio e não saiu mais", lembra Borges, que viu de perto tudo o que pôede ver da cena curitibana dos anos 90 - bandas como Jully Et Joe e Magog.
Costello, por sua vez, viveu nos anos 80 entre duas cidades míticas do rock: Liverpool e Manchester. Conheceu de perto toda a cena do Hacienda, bar que existiu entre 1982 e 1997 em Manchester e que era mantido pela galera do selo Factory (de bandas como Joy Division e New Order - esta, chegou a ser sócia da casa). "Ser reconhecido hoje pelo Rough Trade é ótimo. Dá um grande respeito para nossa música", alegra-se o DJ, que inspirou o nome de sua própria banda, numa época em que tocava num pub em Canden Town, Royal Exchange, famoso por ter vários aquários dentro do bar. "Uma amiga dele, no final da noite, veio com o nome Marine Kulture, porque dizia que ele tocava para os peixes", brinca Borges.
Não é a primeira vez que a banda toca no Brasil - em 2010, estiveram em Santa Catarina. Entre músicas próprias como Mirrors, Therapy e Crazy little devils, o grupo ainda achou tempo para encartar no repertório dos shows covers como Christine, de Siouxsie & The Banshees. "Mas não tocamos muitas releituras. Só essa e também A forest, do Cure. Temos um gosto musical bem variado, que vai do rock à música eletrônica e outros gêneros", diz Costello.
Os shows do Marine Kulture começam por São Paulo nesta sexta (6), no Cliube Outs. No sábado (7), tocam no Tapas. Ambos os shows têm abertura da Problematique Orchestra, banda spoken word, com dois baixos, bateria e projeções em vídeo. Depois, partem para Curitiba e Santa Catarina.
Clube Outs, Rua Augusta, 486 (11-3237-4940). Sexta (6), às 1h. Ingressos: R$ 15 de entrada ou R$ 40 de consumação. Tapas Club, Rua Augusta, 1246, (11-2574-1444). Sábado (7), às 0h30. Ingressos: R$15 de entrada ou R$ 40 de consumo (lista); R$20 de entrada ou R$ 50 consumíveis (porta).
Foto: Divulgação.
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