BICHO FEROZ | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

01.09.2010 | 14:50

BICHO FEROZ



Lembra dele? Ted Nugent, gigante da guitarra e do hard rock nos anos 70, estigmatizado por seu próprio conservadorismo (defende a caça como esporte, é caretão convicto – apesar de ter criado um dos grandes nomes do rock psicodélico sessentista, os Amboy Dukes – e sempre defendeu os governos mais tacanhos dos EUA) avisa aos fãs que tem uma série de “canções do caralho” preparadas para sair. Logo logo sai o novo disco do cara, que se segue a Love grenade, de 2007. É o que diz o músico à Billboard americana.

“Tenho por volta de uma dezena de músicas. Umas oito ou nove delas, preciso gravar tão cedo quanto possível”, avisa. Algumas delas já foram mostradas num show da nova tour, em Waco, Texas. A turnê se chama Trample the weak, hurdle the dead, e provavelmente o nome do novo disco vai ser esse mesmo. “O álbum vai ser um mostruário clássico das influências de Motor City (como costuma ser chamada Detroit, cidade nos EUA da qual Nugent veio). Você pode até ouvir minhas influências de Mitch Ryder no disco”, diz, referindo-se a um dos músicos mais clássicos de sua terra natal – que, só para registro, deu ao mundo o pré-punk de bandas como Stooges, MC5 e Death, e o funk lisérgico do Black Merda.

O músico enumera canções como I love my barbecue e Still believe, que ele compara com hits antigos como Motor city madhouse. Never stop dreaming, ele associa à I ain't gonna eat out my heart anymore, hit do patrimônio do blue eyed soul americano Young Rascals. “Me inspirei, nessa música, nas viagens de caça que fazia. Quando você está num campo de caça com sua família e crianças – de cinco, seis, sete anos... É inspirador, fortificante e puro”.

O disco novo é assunto para dezembro, quando o músico entra em estúdio com o baixista Greg Smith e o baterista Mick Brown, além do produtor David Zaijcek. Por enquanto, cuida da turnê, que acaba na próxima segunda (5), por sinal em Detroit. E, após parar com os shows, vai se dedicar justamente à caça, no Canadá. Alces e ursos, pobrezinhos, estão na mira do guitarrista politicamente incorreto, que vive hoje no Texas.

“Adoro poder caçar de manhã, o que me energiza pelo resto do dia. É um balanço. Meu espírito nunca esteve tão positivo e energizado”, jura o músico. Bom, problemas por manter um hobby tão pouco aceito pela sociedade atual, ele andou tendo – e muitos. Recentemente, não apresentou nenhuma alegação ao fato de ter capturado com uma armadlha um filhote de cervo, durante a gravação de um programa que apresenta no Outdoor Channel, Spirit of the wild. O bicho foi morto nas proximidades de uma área de caça. Mas usar armadilhas, apesar de ser um expediente legal em vários estados da América, é proibido na Califórnia, justamente onde Nugent gravava e caçava. O músico limpou o bolso em US$ 1,750 por violar as leis de caça do estado.

“Não uso armadilhas. Não vi nenhuma armadilha e no meu grupo ninguém estava usando isso”, diz Nugent, que caçava com outras pessoas. “Estávamos a umas 100 jardas de um pomar de maçã. Será que havia uma armadilha ali? Não sei. Pensamos em lutar e possivelmente teríamos vencido. Mas me puseram muita pressão e eu não apresentei nenhuma contestação, até para ajudar meus amigos. Eles não estavam fazendo nada errado”.

O lado politicamente incorreto, quase primo da canalhice, de Nugent, andou frequentando as TVs e jornais algumas vezes nos últimos anos. Em 2004, deu uma entrevista dizendo que o homossexualismo é “moralmente errado”. Em 2005, foi processado por não pagar pensão alimentícia para a mãe de um de seus filhos. Em 2008, em meio à febre pró-Barack Obama, fez mais do que apoiar o adversário do atual presidente americano. Declarou que Obama “deveria ser preso. Está na cara que ele é um comunista. Mao Tse Tung vive e seu nome é Barack Hussein Obama. Esse país devia ter vergonha”.

Antes de odiar Nugent para o resto da vida, dê uma chance à música e ouça Cat scratch fever, um de seus maiores hits.



Foto: Divulgação

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