EU ERA POP | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

22.09.2011 | 18:08

EU ERA POP



Houve uma época em que o Liminha (ou Rick Bonadio, digamos) do pop britânico e americano se chamava Todd Rundgren. Com a diferença que, além de comandar gravações de grandes sucessos e de álbuns que viravam assunto instantâneo, ele ainda compunha e gravava sozinho discos perturbadores como Something/Anything? (1972), A wizard, a true star (1973) e Todd (1974), oscilando entre o rock, o soul e o som progressivo. De volta aos estúdios com reProductions, disco em que relê em versões eletrônicas canções que estavam espalhadas nos álbuns que produziu (de gente como New York Dolls, Meatloaf, Grand Funk Railroad e outros), ele diz que o lançamento surgiu de seu descontentamento com o atual estado da música pop. Em papo com a Spinner, ele diz mal reconhecer o papel de um produtor num disco, atualmente.


"Ter um produtor ainda significa algo, mas de outra forma. O pessoal prefere ter Will.I.Am em seu disco já que ele está na crista da onda. A diferença é que, quando você pega um disco da Rihanna, Katy Perry ou Ne-Yo, não há mais só um produtor. Há três para cada faixa!", espanta-se. "Um álbum tem cerca de duas dezenas de produtores hoje. Fazer um disco hoje é como ciência exata. As pessoas são chamadas por sua expertise em determinados níveis. Não há mais casamento entre produtor e artista pelo fato de o material ter mudado, também. Hoje em dia, as canções são escritas para especificações da audiência,tipo 'já sabemos do que o público vai gostar, vamos criar isso!'".


Rundgren, que reclama de não haver mais mensagens pessoais na música feita hoje, conta que reProductions surgiu de um papo com estudantes da Universidade de Indiana, onde chegou a fazer um mestrado em música. "Conversava com estudantes e um deles lastimava o atual estado da música, e o que aconteceria com ela. Que legado ela vai deixar? Daí falamos sobre Lady Gaga, que está em sua fase de grandes espetáculos. Madonna já fez isso, mas pelo fato de sua música ser um lixo". 



O produtor acabou sendo avisado pelo aluno de que havia música pop boa hoje e reconheceu que mal dedicava seiu tempo para escutar novos artistas. "Fui ouvir e havia ujm monte de dance music. Percebi que fiz suposições baseado em coisas que me deixavam armado. E havia muita música feita hoje que não me deixava assim".


Foto: Divulgação

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