VEJA E SINTA | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

05.09.2011 | 11:49

VEJA E SINTA

Ricardo Schott



Tem um certo garoto cego, surdo e mudo que modificou - todo mundo sabe - a história do rock. E que agora chega a um palco brasileiro. Escrito pelo líder do The Who Pete Townshend e pelo diretor teatral canadense Des McAnuff, o musical-ópera-rock Tommy (inspirado pelo álbum homônimo do Who, de 1969) é uma história adolescente que, mesmo após quatro décadas, não perde a atualidade. Pelas mãos do diretor Rubens Lima Jr e de uma trupe de alunos da escola de teatro da Uni-Rio, no Rio, a peça inicia temporada nesta segunda (5), no Palcão da universidade.


Lançado em um dos anos-chave do paz-e-amor hippie, Tommy mexia em temas que até hoje são complexos - como idolatria, bullying, pedofilia, falta de diálogo com os pais. "As cenas que falam disso estão na peça, como estavam quando ela foi levada à Broadway, mas claro que, no musical, elas aparecem de maneira bem mais forte", afirma Rubens, que assistiu à versão levada aos palcos dos Estados Unidos em 1994 e a tomou como norte. 


"Na história, ele assiste a um assassinato e a mãe tenta tirá-lo do quarto. Só que ele vê o assassinato pelo espelho e fica perturbado, passa a não ver, a não ouvir e a não falar mais nada. No musical, ele perdoa o pai, a mãe, o tio, todos que o fizeram sofrer", diferencia. "No disco, o amante da mãe morre e o pai fica. Na versão cinematográfica de Tommy (dirigida por Ken Russel em 1976 e execrada por Pete Townshend), isso não acontece. Já o musical segue o que estava no disco e a história fica mais coerente". 



Autor de versos tão belos quanto oblíquos, Pete Townshend já causa dificuldades para ser relido para o português em canções pop normais como Pictures of Lily e You better, you bet - imagina numa ópera-rock cheia de lados diferentes como Tommy. Rubens não descarta a possibilidade de um estranhamento, mas diz que as versões buscaram a fidelidade. "Não demos nomes em porrtuguês às músicas", afirma, mostrando que as traduções de canções como I´m free, Pinball wizard, See me, feel me e outros hits do disco não são literais. "Quando executamos I´m free, o primeiro verso começa com 'enfim' (no original era "i´m free/and freedom tastes of reality"). Pinball wizard ganha versos como 'ele é cego, surdo e mudo/mas nunca vi melhor'. A banda que acompanha o espetáculo, formada por alunos da faculdade de música da Uni-Rio, é bem fiel ao Who, tem a pegada herdada deles".



No palco, o personagem é interpretado por dois garotos diferentes, Igor Guerra e Thadeu Matos, representando, respectivamente, o Tommy jovem e sua versão adulta. "É um musical feito por alunos, e muito profissional", diz Rubens, que já encenou com sua trupe releituras para o clássico Rock Horror Show e para Cambaio, de Edu Lobo e Chico Buarque. "Muita gente sai desses trabalhos direto para o mercado de musicais. É um grande acontecimento".


Tommy - O musical, Uni-Rio: Av. Pasteur, 436, Fundos, Urca RJ. De 2ª a 5ª às 20h30, com duas apresentações extras nos sábados, 10 e 17 de setembro, às 21h, até dia 22 de setembro. Entrada franca. Senhas distribuídas uma hora antes do espetáculo.

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Postado Por CARLA ERTHAL

05.09.2011 | 22:17

Sensacional, sou fã de carteirinha do The Who, assisti (o)Tommy enúmeras vêzes, cinema ( nem pagava mais entrada, rsrsrs ), VHS e DVD. Amo Teatro (estou começando a trabalhar com ), irei assistir, não posso perder de jeito nenhum.