TROPEÇA, MAS NÃO CAI | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

24.11.2010 | 13:59

TROPEÇA, MAS NÃO CAI

Gerhard Brêda




O show que encerrou o primeiro Prêmio da Música Digital praticamente definiu o atual mercado musical online brasileiro. Fernanda Takai e o Pato Fu apresentaram duas canções no formato “música de brinquedo”, o que refletiu perfeitamente a mistura de talento e infância do segmento por aqui. A premiação mostrou que, mesmo sem um iTunes, o mercado brasileiro tem um crescimento saudável, ao contrário do evento, que deslizou algumas vezes.



Abarrotado com figurões da industria fonográfica, algumas celebridades e muitos convidados, o Teatro Oi Casagrande ganhou um palco ambicioso, iluminado por berrantes LEDs, que davam um ar modernoso, mas meio Techno, ao evento. A fachada e-music foi reforçada na versão de Pela internet, de Gilberto Gil – que compareceu em um telão, dito ao vivo, mas aparentemente pré-gravado – remixada pelo DJ Gui Boratto no palco, com fortes contornos de drum’n’bass. Alardeada como a apresentadora do evento, a personagem animada em 3D Nani Mobile despontou no telão duas vezes, abrindo e fechando a noite, mas acabou sendo um equívoco, alguma ideia que não cresceu direito entre a concepção e a execução. Com animações duras, a personagem mandava frases de efeito e algumas rimas, mas parecia perdida no meio de todo o resto da festa.



Seguindo a cartilha do VMB, a produção arriscou alguns shows, envolvendo parcerias ou situações incomuns. Além dos já citados Pato Fu e Gui Boratto, Otto e Céu fizeram uma parceria desencontrada e destrambelhada, cheia de notas encurtadas por um aqui e notas prolongadas pelo outro ali. Os coloridos do Restart deram as caras, cheios de pompa e circunstância, tocando uma música em formato acústico.



O clima geral entre os artistas era de apoio ao formato digital. O tecladista do Skank, Henrique Portugal, acredita que o futuro é em bits e bytes. “A saída da música é ser digital”, disparou o músico ao LABORATÓRIO POP, antes de rasgar alguns elogios às decisões empresariais dos Beatles em só lançar o catálogo agora. “Lançaram na hora certa, pegaram um mercado maduro e favorável. O lançamento foi forte. Mostra que sabem cuidar da carreira”.



Pe Lanza, vocalista e baixista do Restart, e DH, vocalista do Cine, reconhecem que seu público alvo – pré adolescentes – são ávidos consumidores de música em qualquer formato, especialmente no digital. “Algumas bandas têm facilidade no formato digital, como nós e o Restart”, afirmou DH. “Esse prêmio é um bom primeiro passo”. Lanza destacou a falta de uma loja brasileira que facilite a compra de músicas. “Não tem nada como o iTunes aqui, mas na gringa é muito fácil, com alguns cliques você já compra uma música, que aparece para ser comprada minutos depois do lançamento. O Brasil precisa disso”, disse.



Mas comprar músicas online no Brasil, mesmo sem a praticidade de um iTunes, não é só coisa dos mais novos. “No mesmo período que vendemos 60 mil cópias do La plata, vendemos mais de 400 mil downloads, entre músicas e ringtones”, revelou Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, que não sabe se o CD pode adquirir uma aura cult, como hoje tem o vinil. “Talvez sim, talvez não. O problema é que CD estraga até mais rápido que vinil, então, isso pode ser um problema. Não sei como vai ser”.

 


Mesmo com algumas pequenas falhas técnicas, o primeiro Prêmio da Música Digital valeu para dizer em alto e bom som que este mercado existe no Brasil e que ele movimenta dinheiro em vários estilos musicais. Ainda não é o oceano de lucros democráticos que os defensores do formato digital defendem; os grandes jogadores ainda saem na frente, mas é um bom primeiro passo.

 

Premiação por vendas: 

Música mais vendida no brasil: Halo – Beyonce

Música mais vendida internacional: Halo – Beyonce

Música mais vendida mpb: Shimbalaiê – Maria Gadú

Música mais vendida pop: Borboletas – Victor & Leo

Música mais vendida regional: Chora, me liga (ao vivo) – João bosco e Vinícius

Música mais vendida religiosa: Faz um milagre em mim – Régis Danese

Música mais vendida rock: Me adora – Pitty

Música mais vendida samba e pagode: Valeu – Exaltasamba

Música mais vendida sertanejo: Meteoro – Luan Santana

Música mais vendida urbana: Desabafo / deixa eu dizer – Marcelo D2

  

Premiação por voto popular: 

Música do ano: Meteoro – Luan Santana

Artista do ano: Móveis Coloniais de Acaju

Artista revelação do ano: Restart

  

Premiação por reconhecimento digital:

Marca mais engajada digitalmente: Terra Sonora

Artista mais engajado digitalmente: Skank

 

Foto: Divulgação

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