05.04.2011 | 03:17
PEGANDO PESADO
Gerhard Brêda
Existe um formato que se espera de uma banda de metal. Distorções esmagadoras e linhas de bateria demolidoras – com direito a pedal duplo – são características que encabeçam a lista. Qual não foi a surpresa dos fãs do Helloween quando pegaram Unarmed, o penúltimo disco do grupo, e encontraram versões acústicas e orquestradas de faixas de sucesso da banda. Andi Deris, vocalista da banda desde 1994, revela em entrevista ao LABORATÓRIO POP que a banda recebeu muitas reclamações dos fãs e que se ele fosse um fã de metal, teria problemas com o disco também. A banda passa pelo Brasil em três datas em maio, ao lado do Stratovarius.
No disco seguinte, o recentemente lançado 7 sinners, a banda abandonou os violões e violinos e se concentrou em descascar os ouvidos dos fãs com guitarras altas, pratos violentos, bumbos agressivos e o bom e velho metal que colocou o Helloween como um dos gigantes do gênero.
“Recebemos, na verdade, muitas reclamações com o Unarmed”, diz Deris sobre a recepção do álbum. “Quem queria um disco de metal... o álbum é qualquer coisa menos um disco de metal. Se eu fosse um fã da banda, fã de metal, eu provavelmente teria problemas com o disco”.
“Durante a gravação do Unarmed, distorções pesadas, todo esse lance estava meio que proibido, então, nos sentíamos como um alcoólatra que não pode beber seu uísque”, disse o cantor, que garante que o peso de 7 sinners não foi algo premeditado. “Quando você volta ao estúdio e pode fazer a música que mais ama, você provavelmente quebra tudo com mais força que o normal, provavelmente essa é a razão para o novo disco soar assim”.
O Helloween desembarca no Brasil em 1º de maio, ao lado do Stratovarius, para um show em Curitiba e depois segue para Porto Alegre e São Paulo nos dias 3 e 6, respectivamente. Aparentemente, além de virtuosos instrumentistas, os finlandeses também são cultos e polidos. “Eles são caras legas e muito educados”, brinca Deris. “Temos muitas boas discussões durante a turnê, o que é muito bom”.
No repertório, destaque para faixas do 7 sinners, mas também uma gama de músicas de outras fases da banda. Deris acredita que a banda até pode fazer uma turnê apenas tocando com músicas da trilogia Keeper of the seven keys se o público pedir, mas não acha que esse é o caminho. “Nunca dizemos nunca. Talvez, se tivermos demanda”, diz. “É uma coisa que gostaríamos muito, estes discos tem muitas ótimas músicas. Pessoalmente, eu não faria assim. Eu faria em torno de 15 minutos com músicas do Keeper e então partiria para outros grandes discos. Essa seria a minha ideia”.
Paizão como vários outros metaleiros veteranos, Deris se orgulha de que seu filho ouve basicamente rock e já está se aventurando em sua primeira banda, na função de guitarrista e vocalista. O cantor mesmo se diz fã inveterado das guitarras distorcidas. “Definitivamente fico feliz em dizer que sou fã de rock e admito que preciso disso. Não quero escutar nada que não seja rock”, diz Deris. “E é interessante que bandas como Judas Priest, hoje em dia, não sejam catalogadas como metal. Quando você olha no iTunes, ou algo assim, seja o Priest, seja o Kiss, é tudo rock. Na minha época, seria metal”.
“Depois das turnês eu acabo ouvindo outros estilos musicais, porque estou de saco cheio de música alta e pesada”, confessa Deris. “Honestamente, depois de duas semanas, eu volto para o metal. Provavelmente sou viciado”.
Foto: Divulgação
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