SEM DRAMAS | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

27.03.2011 | 17:00

SEM DRAMAS



Muita gente que anda pelos seus 35 anos e nem tem idade para ter conhecido o Yes nos anos 70 lembra bem da fase mais moderninha do grupo - a do disco 90125 (1983) e do hit Owner of a lonely heart, no qual o progressivo da banda ganhou contornos meio hard rock, meio Police (e, no Brasil, ao sabor da desinformação, foi chamado por jornais locais até de "funk"). Pois bem, o grupo volta a trabalhar com Trevor Horn, o homem por trás do disco, e prepara seu primeiro álbum de inéditas em 10 anos, Fly from here


"Trevor, para mim, é o melhor produtor do mundo", baba o exigente baixista do Yes, Chris Squire, à Rolling Stone. "Estamos felizes demais com o que estamos fazendo até agora. Estar de volta com Trevor é como se voltássemos no tempo, mas continuando no presente. Crescemos bastante nos últimos anos". As gravações, diz o músico, encerram-se em abril.


As mudanças de formação, um must na história do Yes, voltam em Fly from here. Jon Anderson, vocalista do grupo, não retorna no disco e foi substituído por Benoit David - que, antes de assumir o cargo, era cantor de um grupo canadense de tributo ao Yes, o Close To The Edge. O novo frontman entrou para a banda em 2009 junto com outra figurinha especial - Oliver Wakeman, filho do tecladista de vários discos clássicos da banda, Rick Wakeman, que no álbum divide tarefas com outro antigo integrante do dino prog, Geoff Downes.


Para marcar a chegada de David, curiosamente, o grupo remete a Drama, disco de 1980 gravado igualmente sem Anderson, para falar a respeito da suíte de 20 minutos que dá nome ao disco. "Tocamos essa música na tour desse álbum, quando ela tinha só cinco minutos de duração. Agora é uma extravagância". No disco, há mais canções de seis minutos, também inspiradas nesse período do Yes.


A saída de Anderson e a chegada de David não se deram sem problemas. Anderson se estressou com o fato de a banda chamar um novo cantor, reclamou que a mudança não foi feita "de forma gentil" e decretou que o Yes que está em tour é falso. Squire alega que a banda, após a turnê de 2004, ficou parada por três anos, enquanto o cantor se recuperava de problemas de saúde. Em 2008, houve nova tentativa. "Só que a saúde dele ficou ruim outra vez. A certa altura, precisávamos voltar. Benoit está indo bem no lugar de Anderson, embora ninguém possa substituí-lo. Ele é um dos maiores cantores de todos os tempos".


Ok, beleza, mas Anderson, mesmo com saúde baleada, não ficou parado. Foi fazer uma turnê acústica com ninguém menos que Rick Wakeman - este sim, uma figurinha acostumadíssima ao entra-e-sai do Yes. Ou seja, sem serviço, o vocalista não ficou - e também não ficou impedido de subir ao palco com o grupo.  "É, mas aí foram shows unplugged. Cantar para o Yes é uma posição muito forte e não sei se Anderson poderia encarar uma tour de rock pesado", alega Squire, deixando claro que a coisa não fedeu entre ele e o velho amigo. "Trocamos cartões de Natal ainda. Ficaria feliz em trabalhar com ele no futuro. Tenho orgulho de termos começado o Yes juntos. Se houver algo que possamos fazer, e se isso for confortável para ele e para todos os envolvidos, estou aberto a olhar para isso com carinho".


Por outro lado, Squire diz que a chegada de Benoit deixou todos inseguros: será que Horn acharia legal trabalhar com ele? "Estava nervoso inicialmente com isso, mas está tudo indo bem. O Yes sempre propício a mudanças e não esquento a cabeça com essas coisas".


Foto: Reprodução

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