18.02.2011 | 13:21
ARGENTINO “UM MUNDO MISTERIOSO” é VAIADO EM BERLIM
Carlos Augusto Brandão, de Berlim
Rodrigo Moreno apresentou nesta quarta (16), na 61ª edição do Festival de Berlim, Um mundo misterioso, que concorre ao Urso de Ouro. Na mesma mostra em 2006, o diretor argentino passou por aqui com El custodio.
Um mundo misterioso segue Boris, para quem as coisas não andam muito bem. Confuso com a decisão de Ana de que eles precisam se separar por um tempo e, tentando organizar sua rotina, decide comprar um carro.
A história prossegue com Boris encontrando novas pessoas, após um colega de escola o introduzir num circulo de amigos, mas tudo isso acaba por confundi-lo ainda mais.
Convidado para passar o Ano Novo em Montevidéu, surpreende-se ao chegar lá e não encontrar ninguém. A surpresa é ainda maior quando telefona e encontra apenas um recado na secretária.
Um mundo misterioso mostra um homem se movendo através de uma sociedade paralisada e ameaçada de ruína econômica, mas não é tão bom quanto El custodio e teve uma recepção fria aqui.
Moreno disse que, embora a história esboce inúmeras metáforas, procurou desenvolvê-la de forma simples. “É a história de um casal jovem. Ela pede um tempo, e isso se torna um fato imprescindível na experiência dele, que se sente desamparado e passa a viver a vida sem planejá-la. Há um paralelo com a vida útil de um carro antigo, que já não funciona, assim como nada mais funciona”, resume Moreno. “É um filme sobre o imprevisível, tanto em elementos narrativos, como em termos de mise-em-scène”.
Um mundo misterioso teve o apoio do CineMart (Mercado de coprodução internacional do Festival de Cinema de Roterdã), plataforma que oferece a realizadores a oportunidade de lançar suas ideias para a indústria cinematográfica e encontrar conexões de financiamento. O diretor fez um ressalva de que a parceria não cerceou, em nenhum momento, sua liberdade para criar o roteiro. “Jamais abriria mão da liberdade criativa para fazer um filme”, complementou.
Sobre a produção atual do cinema em seu país hoje, o diretor disse que se sente parte de uma geração que está mudando a maneira de fazer cinema na Argentina em todos os níveis.
“Houve um boom, com o surgimento da Universidad del Cine, a criação da Lei Nacional de Cinema, com a renovação da crítica cinematográfica do país e principalmente com o Bafici (Festival de Cinema Independente de Buenos Aires) que possibilitou o contato com o que estava rolando em termos de cinema independente no mundo”.
Foto: Divulgação
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