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09.10.2010 | 21:01

"LONDON RIVER" ESTREIA COM CONDECORAçãO EM BERLIM

Carlos Augusto Brandão



 London River – Destinos cruzados,  do argelino/francês Rachid Bouchareb, após competir em Berlim e passar por vários festivais, chega aqui ao circuito. O filme, passado logo após o atentado a bomba em Londres em julho de 2005, conta a história de Ousmane, um muçulmano (Sotiqui Kouyaté), que vai a Londres procurar seu filho desaparecido. Paralelamente, Elizabeth, (Brenda Blethyn), uma viúva que mora num sítio no interior da Inglaterra, também não tem notícias de sua filha desde que ocorreu a tragédia. Ela estava assistindo à TV no dia do atentado, liga imediatamente para a filha, mas não a encontra. Preocupada, viaja a Londres para buscar por notícias.

 Os dois se encontram e são confrontados com as barreiras do idioma, de culturas e religiões diferentes e precisam aprender a se ajudar mutuamente, mesmo  inicialmente rejeitando um ao outro.

Os atores estão ótimos, tanto Blethyn, a excelente atriz de Segredos e mentiras, quanto Kouyaté, que ganhou com o papel o Urso de Melhor Ator. O veterano ator nascido em Mali, morreu em abril deste ano.

O cerne do filme é mostrar como pessoas de origens totalmente diferentes podem ser afetadas por uma mesma tragédia, como destacou Bouchareb na coletiva em Berlim, quando falou sobre as razões de ter feito o filme e a escolha dos atores.

“Eu acho que um fato assim, não importa em qual lugar do mundo aconteça, afeta todos nós em maior ou menor escala. A mim tocou muito e o que mais me interessou foi como num atentado como esse com dezenas de mortos, estão entre as vítimas um muçulmano, um cristão, um budista, enfim pessoas de todos os tipos e nacionalidades”, disse acrescentando que Brenda foi sua primeira opção para o papel.

“Eu sempre pensei na Brenda para o personagem principal, mesmo que precisasse esperar um bom tempo. E também sempre achei que Sotiqui poderia contracenar com ela. Se eu não os tivesse, não teria feito o filme. Enviei o roteiro, ela aceitou de imediato, desde que eu pudesse esperar um ano quando estaria disponível, e eu esperei”, afirmou.

Além do drama cotidiano de Elizabeth e Osumane, o filme – que ganhou uma menção honrosa do júri ecumênico na Berlinale – trata de temas sociais, políticos e humanísticos, como preconceito, dificuldades de comunicação e globalização.

 

Veja o trailer:

 

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