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08.03.2010 | 16:29

"OSCAR AINDA RECOMPENSA O MELHOR FILME E NãO O DE BOLSOS MAIS CHEIOS", DIZ NYT



O New York Times não tem muito o que reclamar do Oscar 2010. O jornal americano acertou quase todas as apostas que fez, pelo menos dos prêmios principais. Mesmo assim, aponta que a Academia pode ter reiterado, mais uma vez, uma postura elitista ao escolher o filme independente de Kathryn Bigelow, Guerra ao terror, com números ínfimos na bilheteria, em vez de o fenômeno Avatar, de James Cameron. A razão seria o tradicionalismo da instituição, que não poderia premiar o filme mais revolucionário da história recente do cinema. O veículo elogia a disputa e polariza os dois principais concorrentes — um filme que ninguém queria fazer contra um que todos gostariam de ter feito; o filme que lutou para encontrar uma audiência contra o que quebra recordes de bilheteria todos os dias; o filme que representa o futuro tecnológico de Hollywood contra o da tradição narrativa.

 

O NYT conclui que o prêmio dado a Guerra ao terror serviu como um lembrete impressionante que, por maiores que tenham sido os esforços da Academia para abraçar filmes mais populares, o Oscar ainda recompensa o filme de maior qualidade e talento —  "e não aquele com os bolsos mais cheios".

 

A ideia de ampliar a categoria de Melhor Filme para 10 produções ainda não pode ser considerada um sucesso, afirma o NYT. A iniciativa traria mais filmes comerciais e, consequentemente, uma audiência mais jovem e esperançosa para assistir ao show. O veículo pontua que as piadas infames apresentadas por Alec Baldwin e Steve Martin na noite de domingo, contudo, vão de encontro a essa tendência. A boa audiência da noite se deve mesmo a Avatar, diz o jornal, porque virtualmente todas as pessoas do mundo viram e se interessam radicalmente por ele — contra ou a favor.

 

O jornal lembra que o Oscar ainda é tão importante pelo debate político que incita. No caso de Avatar, sua mensagem ecológica foi automaticamente assunto de discussão pública a partir da nomeação, bem como o discurso antibelicista de Guerra ao terror, que polemizou o retrato dos soldados no Iraque, heróis ou não.

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