23.03.2011 | 12:06
O ANO COMEçA AGORA
Juliana d'Arêde
Início do ano, férias e muito tempo livre para colocar todas aquelas séries em dia, de pernas para o ar e com um balde de pipoca. Certo? Errado. Pelo menos em termos. Para os verdadeiros série maníacos, o ano começa, de fato, a partir de abril. É isso mesmo. A expectativa para o próximo mês até meados de outubro, para os amantes de produções americanas, é praticamente como a espera pelo dia do aniversário, ou pela Páscoa, dependendo do quão chocólatra a pessoa seja. E, numa temporada em que personagens célebres como Merlin e o rei Arthur, o polêmico Rodrigo Borgia, dinossauros e ETs disputam a atenção do público, esperar mais alguns dias é uma verdadeira provação para os que sofrem de crise de abstinência televisiva.
Com Steven Spielberg assumindo a concepção e a produção de Terra Nova e Falling skies, as duas atrações encabeçam o topo da lista das grandes estreias da temporada de 2011 e apresentam o que cineasta sabe fazer (e inventar) de melhor: ETs e dinossauros. A sempre-promessa-de-grandes-séries-de-altíssima-qualidade HBO também não deixa por menos e prepara a adaptação da obra literária Games of thrones para deixar os mais fiéis seguidores e amantes de aventuras medievais em estado de total encantamento (te cuida, J.R.R. Tolkien). Já a polêmica e as cenas de sexo quase pornográficas – todas obviamente dentro de um contexto histórico, é claro – são os principais atrativos de The Borgias, novo seriado épico do canal Showtime (o mesmo de The Tudors). A tudo isso, soma-se ainda a presença de grandes nomes do cinema, que, numa tendência cada vez maior, migram para a TV com a esperança de redenção numa carreira cinematográfica estagnada, ou pouco produtiva.
Pensando na angustiante espera dos espectadores mais aficionados, o LABORATÓRIO POP preparou uma lista com as principais estreias da temporada de 2011. Saiba mais sobre o que promete bombar na TV, anote as datas e programa-se:
Abril: em 2011, para quem curte o gênero histórico e medieval, abril é a luz no fim do túnel, após os primeiros meses de "seca" de entretenimento do ano, em que grande parte das produções encontra-se no indesejado "hiatos", período em que as séries estão em pausa para a produção de novos episódios ou para balanço da audiência, com reprises que visam captar mais espectadores.
01/04 – Camelot: a saga do rei Arthur encontra nova leitura nesta produção do canal Starz (responsável por outras grandes obras do gênero, como Os pilares da Terra e Spartacus). Estrelada por Joseph Fiennes, Eva Green e Jamie Campbell Bower, a série acompanha a trajetória de Arthur, desde a sua juventude até o momento da coroação. Muito aguardada pela crítica e principalmente pelo séquito de admiradores da lenda britânica, Camelot teve sua prévia divulgada no fim de fevereiro para aguçar (ou não) a curiosidade da audiência. O LABORATÓRIO POP conferiu e as primeiras impressões não foram as melhores. A julgar pela escolha do fraco Campbell para um dos personagens mais intensos de todos os tempos, diálogos obtusos e por um roteiro aquém das riquezas da obra literária, fica a esperança de que o poder de Excalibur consiga salvar Arthur do limbo televisivo e o canal, de um prejuízo nada nobre, uma vez que cada episódio programado custou cerca de U$ 7 milhões – veja bem, POR episódio -, mais do que o dobro do custo da maioria das produções da emissora. Camelot recebeu uma encomenda inicial de 10 episódios para a primeira temporada, com a possibilidade de esse número ser estendido.
03/04 – The Borgias: Idade Média, sexo, Itália, sexo, escândalos, sexo, religião, Jeremy Irons e...sexo. Se esses termos não são o suficiente para deixar qualquer espectador, no mínimo, curioso, o canal Showtime promete prender a atenção de uma audiência já órfã de The Tudors (drama da mesma rede baseado na vida de Henrique VIII, da Inglaterra) com a história de uma família que deixaria os Sopranos com inveja. O renomado ator Jeremy Irons dá vida a Rodrigo Borgia, patriarca da corrupta e cruel família renascentista, pontificado em 1492, mesmo com uma reputação que, digamos, passa longe de ser imaculada para um Papa. A série promete revelar todos os podres – e põe podre nisso – do clã, incluindo seus hábitos nada pudicos e atitudes peculiarmente "indignas".
17/04 – Duelos mortais de espadas, cavalheiros e donzelas numa fantasia medieval baseada em obra literária, estrelada por Sean Bean. Não, não se trata de uma série ou minissérie inspirada em O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien. Apesar de o gênero ser o mesmo, qualquer semelhança - além de as iniciais dos nomes do meio dos autores das respectivas obras serem iguais - entre a história de Frodo e o seu precioso anel e Games of thrones é mera coincidência. Inspirado no épico escrito por George R.R. Martin, Games of thrones é o tão aguardado seriado medieval da HBO, passado na região mítica de Westeros. A trama acompanha a vida da nobre família Stark, que se vê envolvida numa intriga da Corte quando o patriarca Eddard (Sean Bean) se torna o novo braço direito do rei. Com pompa - e orçamento - de produção hollywoodiana, a série custou cerca de U$ 45 milhões – sendo U$ 18 apenas para cobrir a produção do episódio piloto.
Junho e outubro: o incansável Steven Spielberg resgata os seres que levaram seu nome à elite cinematográfica, com projetos ousados para a TV que abusam dos efeitos especiais (uma das marcas registradas do cineasta) e, claro, dos orçamentos estratosféricos.
19/06 - Falling skies: a TNT saiu na frente e adquiriu os direitos de exibição - em vários países - da disputada série com temática extraterrestre (os verdinhos estão voltando com tudo para esta temporada televisiva de 2011). Criada por Robert Rodat (O resgate do soldado Ryan), a partir de uma ideia de Spielberg, o seriado começa num período de seis meses após uma invasão alienígena à Terra. Diferentemente de V, onde os visitantes alegam serem pacíficos, quando, na verdade, estão doidos para dizimar a população terrestre, em Falling skies é tudo preto no branco. Os ETs já chegam dizendo a que vieram, e restam poucos sobreviventes na humanidade, que se unem para retomar o comando do planeta. A série é estrelada por Noah Wyle, o eterno Dr. Carter de E.R.
Outubro (ainda sem data definida) - Terra Nova: Isso é o que acontece quando a Fox e Steven Spielberg se juntam para desenvolver uma mega produção para a TV, que pretende viajar no tempo até a pré-história. No ano de 2.149, o planeta Terra encontra-se em verdadeiro estado de caos, resultado de anos de descuido e desmatamentos. Para tentar salvar o que ainda resta da humanidade, um grupo de cientistas abre uma fenda no tempo e no espaço contínuo e viaja de volta ao passado para buscar nas origens do planeta soluções para o futuro. Pegando carona no nome e nas ideias mirabolantes de Spielberg, a Fox apostou todas as suas fichas na produção, que tem nada menos do que a equipe responsável pelos efeitos especiais de Avatar para cuidar da parte técnica. O que, claro, atrasou a estreia da série – para frustração dos mais curiosos – e elevou os custos de maneira exorbitante. Para se ter uma ideia, antes mesmo de uma única cena ser gravada, os valores ultrapassavam a barreira de US$ 10 milhões, e estima-se que a produção apenas do episódio piloto chegue à marca dos US$ 20 milhões. Com lançamento previsto inicialmente para maio, Terra Nova ganha as telas apenas no último trimestre de 2011, mas ainda não há uma data definida. A atração é estrelada por Jason O’Mara (de Life on Mars), com direção principal de Jon Cassar (de 24 horas).
Foto: Divulgação
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